Indústria oscila e deixa dúvidas sobre retomada

O maior problema enfrentado pela indústria, na avaliação das 1.962 empresas ouvidas na Sondagem, é a carga tributária

O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2019 | 04h00

A Sondagem Industrial de setembro da Confederação Nacional da Indústria (CNI) retrata bem a conjuntura do setor secundário, marcada por oscilações que põem em xeque a possibilidade de retomada sustentável do segmento. Melhoraram, por exemplo, o emprego e o nível de estoques, mas a produção industrial caiu entre agosto e setembro, a utilização da capacidade instalada ficou estável e as perspectivas para os próximos seis meses revelaram um “arrefecimento no otimismo”.

O maior problema enfrentado pela indústria, na avaliação das 1.962 empresas ouvidas na Sondagem, é a carga tributária, citada por 44,7% dos informantes, porcentual maior do que os 42,4% observados na pesquisa anterior. A demanda interna insuficiente foi mencionada por 34,6%, mas, neste caso, o porcentual foi muito inferior ao notado em agosto (41,1%).

Este é um ponto importante, pois indica melhora gradual no ritmo da atividade industrial. A situação seria ainda melhor se, além da evolução do mercado interno, as condições do mercado global fossem mais propícias às exportações brasileiras.

Entre os fatores que justificam melhora do humor na indústria está o das condições financeiras, com 47,2 pontos, próximo dos 50 pontos que separam os campos positivo e negativo. O lucro operacional, por exemplo, aumentou entre o segundo e o terceiro trimestres deste ano, embora continue no campo negativo. Ao mesmo tempo, os empresários apontaram alguma melhora no acesso ao crédito, embora ainda predominem as dificuldades para conseguir empréstimos e 18,2% dos entrevistados sintam falta de capital de giro.

A Sondagem revela expectativas positivas quanto ao futuro, superando 50 pontos – ou seja, no patamar de satisfação. Mas houve leve oscilação negativa entre setembro e outubro, quando o levantamento foi feito. Diminuíram os indicadores de demanda e de número de empregados, mostrando a cautela das indústrias. A queda no indicador de compra de matérias-primas se deve à piora do nível de estoques em setembro. Houve leve reação no item quantidade exportada, mas o comércio exterior mostra evolução sofrível.

O aumento da disposição de investir é o aspecto que mais chama a atenção, pois está intimamente relacionado à confiança do empresariado, essencial para a retomada industrial.

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