Indústria volta a se mexer

Balanço de maio parece confirmar o grande mantra da esperança: o pior ficou para trás

Notas & Informações, O Estado de S. Paulo

07 de julho de 2020 | 03h00

A indústria reagiu em maio, produziu 7% mais que em abril e saiu da UTI, mas sem anular a perda de 26,3% acumulada nos dois meses anteriores. Ainda lenta, a recuperação foi no entanto espalhada por todo o setor, com maior atividade em todas as grandes categorias – bens de capital, bens de consumo e bens intermediários – e em 20 ramos dos 26 cobertos pela pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O balanço parece confirmar o grande mantra da esperança – o pior ficou para trás. Os números são modestos, se comparados com os danos do primeiro grande impacto da crise, mas a melhora dos sinais vitais é inegável.

Várias fábricas voltaram a produzir em maio, depois de um mês de paralisação total ou quase completa, observou o gerente da pesquisa, André Macedo. O aumento da produção em maio foi o maior desde junho de 2018 (12,9%), depois da paralisação do transporte rodoviário.

Números excepcionais, nem sempre positivos, são mostrados também por outras comparações. A queda de 5,4% acumulada em 12 meses foi a maior desde dezembro de 2016 (6,4%), quando a economia chegava ao fim de uma recessão. Em 2017 e 2018 a produção continuou em crescimento, mas voltou a recuar em 2019, no primeiro ano do atual governo. No primeiro bimestre de 2020 o total produzido já foi 0,6% inferior ao de um ano antes. Até maio, a queda foi de 11,2% na comparação interanual.

A indústria nunca retomou os maiores níveis de produção anteriores a 2015. Seu enfraquecimento evidenciou, além do fracasso, o caráter danoso da política formada por protecionismo, desonerações mal planejadas e incentivo a grupos selecionados.

Algum conserto foi ensaiado no governo Temer. Quase nada se fez, no mandato do presidente Jair Bolsonaro, para a recuperação do setor. Mais do que contribuir para o aumento da produção, o governo deveria planejar meios de elevar o investimento, reforçar e modernizar a capacidade produtiva e estimular a inovação. Nada disso foi feito.

Do exterior quase nada se pode esperar. Grandes importadores da indústria brasileira, como Argentina e outros vizinhos, também enfrentam a pandemia e vão mal economicamente. A recuperação dependerá do mercado interno. A retomada será mais complicada, principalmente se depender deste governo.

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