Inflação continua pressionada pelos alimentos

Aumento nos preços dos alimentos e dos combustíveis foi o principal responsável pela inflação de setembro

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2020 | 05h00

A alta de 0,64% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em setembro é a maior para o mês desde 2003 (um ano antes, sua variação tinha sido negativa, de -0,04%) e bem mais acentuada do que a de agosto (0,24%) e eleva a inflação acumulada em 12 meses para 3,14%. Mas não é, nem indica que será, o marco de uma nova tendência da inflação oficial calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e que baliza a política de metas do Banco Central (BC).

Os principais fatores que provocaram a alta média dos preços ainda persistem e poderão influenciar o IPCA por mais algum tempo, mas tenderão a perder vigor. O aumento nos preços dos alimentos e dos combustíveis foi o principal responsável pela inflação de setembro.

“Os alimentos responderam por 72% do IPCA do mês”, disse o gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE, Pedro Kislanov. Mais componentes do item alimentação subiram em setembro do que ocorre normalmente.

Como os combustíveis, boa parte dos alimentos tem influência de fatores como câmbio e demanda externa na formação de seus preços locais. O real, como se sabe, é uma das moedas que mais se desvalorizaram em relação ao dólar depois do surgimento da pandemia de covid-19.

O estímulo à exportação propiciado pelo câmbio pode ter restringindo a oferta de alguns produtos no mercado interno, além de ter forçado a alta de seus preços domésticos. Além disso, o pagamento do auxílio emergencial para dezenas de milhões de pessoas levou ao aumento do consumo, em primeiro lugar justamente de produtos alimentícios.

Não surpreende, pois, que, dos cinco itens que mais pressionaram o IPCA em setembro, quatro sejam alimentos com forte presença na cesta de consumo da população, como carne, arroz, óleo de soja e leite longa vida (o quinto item é gasolina).

Essas circunstâncias parecem justificar as previsões de analistas do mercado financeiro de que não há, até agora, razões para mudanças na política do BC. O cenário, porém, não é de tranquilidade. Além das incertezas sobre o ritmo da recuperação econômica, há dúvidas sobre como o governo administrará suas finanças nos próximos meses. Indicações de responsabilidade na política fiscal continuam essenciais para a confiança dos agentes econômicos.

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