Investimentos estrangeiros têm queda forte

No 1º semestre, os investimentos estrangeiros em todo o mundo ficaram 49% menores do que os do mesmo período de 2019

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2020 | 03h00

Embora tenha recebido, neste ano, pouco mais da metade dos investimentos estrangeiros diretos (IEDs) que recebeu no ano passado, o Brasil não é o que apresenta os resultados mais fracos entre os principais receptores desses recursos. Relatório da Organização das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad) mostra que, no primeiro semestre, os investimentos estrangeiros diretos em todo o mundo foram 49% menores do que os dos primeiros seis meses de 2019. Embora igualmente acentuada, de 48%, a queda no fluxo para o Brasil foi menor do que a da média mundial.

Regiões desenvolvidas apresentaram resultados bem piores. A Europa, que nos primeiros seis meses de 2019 havia recebido US$ 203 bilhões de IED, neste ano teve saída de US$ 7 bilhões. A América do Norte teve queda de 56% na entrada desses recursos.

Entre os principais receptores, os que registraram as maiores reduções foram Itália (queda de 74%), Estados Unidos (61%), Brasil (48%), Austrália (40%) e Canadá (32%).

“A queda de IED foi mais drástica do que esperávamos, particularmente nas economias desenvolvidas”, avaliou o diretor de Investimentos da Unctad, James Zhan. “As economias em desenvolvimento enfrentaram a tempestade (da pandemia da covid-19) de maneira relativamente melhor na primeira metade do ano.” Enquanto a redução do fluxo para os países desenvolvidos alcançou 75% no primeiro semestre, nas economias em desenvolvimento a queda foi de 16%.

O Brasil, por esses números, teve desempenho comparável ao das principais economias do mundo. É um sinal negativo, pois, em boa parte, o IED que deixou de circular entre os países ricos ficou neles mesmos, que são simultaneamente os maiores fornecedores e receptores desses recursos. Já o Brasil é fortemente receptor e tem no fluxo de IED um importante fator de equilíbrio de suas contas externas.

Segundo a Unctad, o fluxo de IED para o Brasil, que alcançou US$ 18 bilhões no primeiro semestre, caiu basicamente por causa da paralisação do programa de privatizações e concessões. A organização acredita que a retomada desse programa e a dos investimentos em infraestrutura no segundo semestre revertam ou aliviem a tendência observada na primeira metade do ano. No País, porém, não se veem motivos para sustentar essa avaliação.

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