Lançamento de imóveis diminui, vendas crescem

Como consequência dessa disparidade, o estoque de unidades novas, na planta e em obras, diminuiu 12,3% em 2020

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2021 | 03h00

Com a chegada da pandemia de covid-19, no primeiro trimestre do ano passado, a evolução das vendas de imóveis residenciais novos e a dos lançamentos passaram a apresentar um descompasso, que se acentuou no segundo semestre. Assim, as vendas alcançaram 189.857 unidades no ano passado, com aumento de 9,8% sobre o resultado de 2019 (172.902), enquanto os lançamentos totalizaram 151.782 unidades, com redução de 17,8% ante o ano anterior (184.761 residências). É o que mostram os indicadores imobiliários nacionais aferidos pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic).

Como consequência dessa disparidade, o estoque (unidades novas, na planta e em obras) diminuiu 12,3%. O nível no encerramento do ano, de 164.786 unidades, é considerado saudável pela Cbic. Considerando-se o ritmo de vendas de 2020, seriam necessários 10,4 meses para o escoamento do estoque. No fim de 2019, pelo mesmo método de cálculo, eram necessários 13 meses. Houve melhora no indicador.

O principal mercado do País, o do Sudeste, registrou queda de vendas no ano passado, mas as demais regiões compensaram essa perda. Como o Sudeste responde por metade do mercado nacional, o resultado total mostra o vigor das outras regiões.

O fato de as vendas terem crescido no ano da pandemia é atribuído ao ambiente de juros baixos e aos estímulos à compra de imóveis para moradia ou para investimentos. Entre os fatos que levaram à queda do volume de lançamentos estão o adiamento de muitos projetos por causa das restrições ao funcionamento do comércio e as incertezas econômicas decorrentes da pandemia, que afetou duramente a atividade das empresas e as condições de vida da população.

O resultado final, na avaliação do presidente da Cbic, José Carlos Martins, “foi muito positivo”. Os números de 2020 foram superiores aos que se projetavam no início da pandemia. A maioria dos setores da economia registrou queda no ano passado.

A previsão para 2021 é de crescimento do mercado imobiliário, mas a Cbic aponta dois fatos que podem colocar em risco a expansão. Um deles é a alta de alguns insumos e a falta de alguns materiais de construção. Outro é a redução do orçamento anual do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que atende a população de baixa renda.

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