Leilão promissor de energia em Roraima

O fornecimento de eletricidade à capital, Boa Vista, dependia até fevereiro da importação de energia da Usina de Guri, na Venezuela

O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2019 | 05h00

Um dos maiores gargalos energéticos do País – no Estado de Roraima – começou a ser enfrentado com o leilão para o suprimento de energia para a região promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Roraima é o único Estado da Federação sem acesso ao Sistema Interligado Nacional (SIN) de transmissão. É esse acesso que permite a qualquer região consumir energia produzida em outros locais, inclusive distantes.

O fornecimento de eletricidade à capital, Boa Vista, dependia até fevereiro da importação de energia da Usina de Guri, na Venezuela. Com o agravamento da crise venezuelana e a falta de eletricidade até para atender à demanda interna, desde 7 de março deste ano, Boa Vista passou a depender quase totalmente de uma fonte térmica, o óleo diesel, mais caro e poluente. Esse pano de fundo demonstra a relevância do primeiro – e bem-sucedido – leilão de energia do governo Bolsonaro.

A partir de 2021, serão fornecidos 263,5 MW médios pelas vencedoras do certame, entre as quais Eneva e Oliveira Energia – que tem participação crescente no setor energético do Norte do País. Estará suprida, assim, a quase totalidade da energia demandada por Boa Vista. Se a Venezuela voltar a vender energia a Roraima “será ótimo”, notou o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. O passo seguinte, já previsto no leilão, é instalar uma linha de transmissão entre Boa Vista e Manaus, superando os problemas relacionados ao meio ambiente e à instalação de equipamentos em área indígena.

O leilão trará, como ganho em curto prazo, a redução de 35% do custo da energia para Roraima, dos atuais R$ 1.237 por MWh para R$ 833 por MWh, enfatizou Albuquerque. O preço-teto do leilão era de R$ 1.078 por MWh. O benefício não será apenas dos consumidores locais, mas de todos os consumidores. O custo da energia térmica fornecida ao Estado é rateado entre os consumidores de todo o País.

Não se tratou de um leilão convencional, pois a energia a ser oferecida pelos vencedores virá também de gás natural ou fontes renováveis, além de combustíveis. Trata-se, pois, de um novo modelo de leilão, elogiado por especialistas. Mas faltam definições, por exemplo, quanto ao custo da transmissão de energia, a ser convencionado quando Roraima for integrada ao SIN.

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