Lucro do BNDES ajuda a aliviar a crise fiscal

Lucro do banco de fomento no primeiro trimestre foi de R$ 11,1 bilhões, 436,7% maior do que no mesmo período de 2018

O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2019 | 04h00

Com a venda de participações acionárias na Petrobrás, principalmente, e de papéis de Fíbria, Rede e Vale, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) teve um lucro espetacular no primeiro trimestre: nada menos de R$ 11,1 bilhões, 436,7% maior do que no mesmo período de 2018. Esse resultado é particularmente importante em vista da situação crítica das contas do Tesouro. O banco de fomento já anunciou que fará ainda neste mês a devolução de R$ 30 bilhões para amortizar sua dívida para com a União, atendendo à recomendação do Ministério da Economia.

De acordo com esquema acertado ainda no governo do ex-presidente Michel Temer, o BNDES antecipará de 2060 para 2040 a liquidação total de sua dívida, pagando cerca de R$ 25 bilhões por ano. Para este ano, estava prevista a devolução de US$ 26 bilhões, tendo sido feito, apenas no primeiro trimestre, um retorno de R$ 4 bilhões a mais.

Já a empresa de participações do BNDES, a BNDESPar, teve lucro de R$ 8,6 bilhões no primeiro trimestre, em comparação com R$ 570 milhões no período janeiro-março de 2018. Ao todo, a empresa vendeu R$ 10,3 bilhões em participações.

Pode-se esperar, caso as condições de mercado sejam favoráveis – e elas podem ser, considerando que, com a desvalorização do real ante o dólar, os preços das ações de empresas brasileiras ficaram mais baixos para investidores externos –, que o banco possa realizar novas vendas de papéis de sua carteira e fazer outras devoluções à União. (O Tesouro, como estimou o ministro Paulo Guedes em março, pediria ao BNDES a devolução de R$ 126 bilhões em 2019.)

Este, contudo, é apenas um aspecto do desempenho recente do banco. “O BNDES teve uma redução bastante significativa do crédito direcionado”, como afirmou seu presidente, Joaquim Levy. O porcentual de crédito direcionado, ou seja, subsidiado, está voltando aos níveis pré-crise de 2008 – de 6,5% a 7% do Produto Interno Bruto (PIB) – depois de tais empréstimos terem praticamente dobrado, chegando a 11,3% do PIB em 2015.

Com esse enxugamento de subsídios, o BNDES abre espaço para que as empresas captem recursos por meio de outros instrumentos, como lançamento de debêntures, e para aumento do crédito livre por outras instituições privadas e públicas.

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