Mais confiança, mas o quadro exige cautela

Aumento da confiança em abril se dá sobre bases bastante deprimidas e não é suficiente para repor as quedas registradas em março

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2021 | 03h00

Bem mais do que com otimismo, a alta da confiança do consumidor e do empresariado do comércio em abril aferida por pesquisas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) deve ser interpretada com cautela. Essa é a recomendação dos responsáveis pela Sondagem do Consumidor e pela Sondagem do Comércio. Nos dois casos, o aumento da confiança se dá sobre bases bastante deprimidas e não é suficiente para repor as quedas registradas em março.

No caso dos consumidores, a confiança subiu 4,3 pontos em abril, alcançando 72,5 pontos. Mas a alta recuperou apenas 44% da queda sofrida no mês anterior. A coordenadora das Sondagens do Ibre/FGV, Viviane Seda Bittencourt, observa que “a melhora foi influenciada pela diminuição do pessimismo das famílias em relação aos próximos meses”. Mas não surge, nas respostas dos consumidores ouvidos pela pesquisa, uma percepção clara de recuperação da situação atual, “dado o cenário de agravamento da pandemia e dificuldades enfrentadas pelas famílias”.

O que se observa é a manutenção do comportamento cauteloso dos consumidores. Motivos para a cautela com relação a gastos não faltam: “Renda, emprego e aumento dos níveis de endividamento” são apontados pela coordenadora das pesquisas do Ibre/FGV. Há ainda, acrescenta ela, fatores psicológicos, “relacionados à incerteza em relação à saúde e à necessidade de isolamento social”.

São, basicamente, esses fatores que fazem o responsável pela Sondagem do Comércio, Rodolpho Tobler, igualmente recomendar cautela na análise do resultado positivo de abril do Índice de Confiança do Comércio, que subiu 11,6 pontos (de 72,5 para 84,1 pontos). A alta compensa apenas parcialmente a perda de março.

Também entre os empresários do comércio o que está havendo é uma redução do pessimismo. Os indicadores do momento presente continuam baixos e sugerem que a demanda em abril manteve-se fraca.

A melhora do quadro sanitário é vital para a mudança das expectativas. “Os números negativos da pandemia, as medidas restritivas de circulação e funcionamento e a baixa confiança dos consumidores sugerem que esse cenário só deve mudar quando aparecerem os efeitos positivos do programa de vacinação”, diz Tobler.

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