Mais confiante, a indústria pode investir mais

Após cair aos 36 pontos na fase aguda da covid, Índice de Confiança do Empresário Industrial foi aos 63,1 pontos em dezembro

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2020 | 03h00

Nos últimos dez anos, somente em 2018 e 2019 os empresários estiveram mais confiantes no mês de dezembro do que em 2020. É surpreendente a evolução do Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) recém-divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), pois este foi um ano marcado pelo severo impacto da pandemia sobre todas as atividades econômicas e as condições de vida. A indústria foi duramente atingida pelas medidas de restrição de circulação de bens e pessoas para conter a pandemia.

No período mais agudo da crise, o Icei atingiu, de fato, seu ponto mais baixo da década. Mas a recuperação desde maio tem sido impressionante. É, como dizem os economistas, uma recuperação em “v”, mas com ângulo muito agudo, ou seja, numa velocidade muito alta. 

Nem nos primeiros anos da década, quando inequivocamente a economia ainda crescia a um ritmo muito intenso, a confiança do empresariado esteve tão alta como em 2020.

O gráfico com a variação do Icei a partir de dezembro de 2010 redesenha as expectativas e frustrações do empresariado industrial ao longo do período. A partir de dezembro de 2013, quando surgiram os sinais claros do fracasso da política econômica do governo Dilma Rousseff e os prenúncios de uma crise grave, o Icei firmou a tendência de queda que se desenhava desde o início do mandato da petista.

Sua reeleição, em 2014, acentuou essa tendência. Em dezembro de 2014, o Icei já estava em 45,1 pontos (o índice varia de 0 a 100 pontos; abaixo de 50 indica desconfiança). Com o desenrolar da crise política e econômica, o índice caiu para 36,0 pontos em dezembro de 2015, recuperando-se a partir daí com o avanço do processo de impeachment da presidente da República, concluído em agosto de 2016.

Em 2020, no período mais crítico da atividade econômica, o Icei esteve em cerca de 36 pontos. Em dezembro, já havia evoluído para 63,1 pontos.

Tanto quanto a recuperação do Icei, é surpreendente a disseminação da confiança. Ela foi constatada em todos os 30 setores analisados. Para o gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo, o Icei mostra “melhora consistente na atividade industrial”. A confiança retornou aos níveis anteriores à pandemia, o que mostra maior propensão a investir em 2021.

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