Mais famílias estão endividadas

No ano passado, o auxílio emergencial reduziu o impacto da crise. Agora, a vacinação pode ter esse papel

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2021 | 03h00

O porcentual de famílias endividadas cresceu em março, no quarto aumento mensal consecutivo. As famílias com dívidas (cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro ou de casa) representavam 67,3% do total, com alta de 0,6 ponto porcentual em relação a fevereiro e de 1,1 ponto sobre março de 2020.

É o segundo maior porcentual de toda a série, abaixo apenas do observado em agosto de 2020 (67,5%). São dados da pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Os resultados das últimas pesquisas mostram uma mudança no comportamento das famílias, quando considerada sua faixa de renda. Como observou a CNC, o número de famílias endividadas no grupo de maior renda atingiu proporção recorde. “Nota-se um crescimento contínuo e mais intenso do endividamento nas famílias com mais de 10 salários mínimos mensais desde novembro do ano passado”, informa a pesquisa. 

As famílias com renda mais alta ampliaram o uso do cartão de crédito. Desde fevereiro, a proporção das famílias de renda mais alta com dívida em cartão é maior do que das famílias de renda menor, o que não acontecia desde 2011. A interpretação da CNC é de que “essas famílias de renda mais elevada estão revertendo ao consumo a poupança acumulada durante os meses iniciais de pandemia”. 

O quadro ainda sombrio do mercado de trabalho, a aceleração da inflação e o fim do auxílio emergencial levaram as famílias de renda menor ao comportamento inverso. Elas foram forçadas a administrar com mais rigor o orçamento doméstico. O número de famílias endividadas do grupo de menor renda cresceu, mas o aumento porcentual foi menor do que no primeiro trimestre de 2020.

O agravamento da pandemia, que exige medidas restritivas à atividade econômica e pode afetar o mercado de trabalho, preocupa a CNC. No ano passado, o auxílio emergencial e a resposta rápida das empresas reduziram o impacto de medidas desse tipo e permitiu uma saída mais rápida da crise. 

Agora, a vacinação pode ter esse papel. Mas ela tem de ser rápida e eficiente, “senão a balança doméstica vai ficar cada vez mais insustentável”, adverte José Roberto Tadros, presidente da CNC.

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