Mais incertezas no mercado de petróleo

Quadro de incertezas é marcado por problemas geopolíticos

O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2019 | 04h00

Os ataques registrados há dias a dois navios petroleiros da Arábia Saudita perto do porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, e a duas estações de bombeamento de óleo em áreas próximas do Estreito de Ormuz, por onde é transportado o óleo das maiores regiões produtoras, não chegaram a causar a interrupção no fornecimento nem alterações expressivas nos preços da commodity, segundo o Relatório do Mercado de Petróleo da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês). Mas provocaram a manutenção de um quadro de incertezas, marcado por problemas geopolíticos e da indústria de petróleo, notaram os especialistas da IEA no Relatório, datado de 15 de maio. O estudo também citou a correção dos problemas de contaminação do óleo russo transportado pelo oleoduto de Druzhba, no Báltico, com capacidade de 1,4 milhão de barris/dia (b/d).

Não há dúvidas quanto à percepção de maiores riscos de mercado, mas as cotações do barril do tipo Brent permaneceram entre US$ 70 e US$ 75 em abril e maio. A oferta caiu liderada por Canadá, Casaquistão, Azerbaijão e Irã e os estoques nos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) cederam, mas a demanda cresceu abaixo do esperado.

O Brasil, graças à política de investimentos e à produção nas áreas do pré-sal, continuou ganhando importância nos relatórios da IEA. A demanda de março de 2019 no País foi 80 mil b/d inferior à esperada. Ao mesmo tempo, a oferta registrou “sólidos ganhos” – não só no Brasil, mas também nos Estados Unidos, na Líbia e na Nigéria.

Segundo o relatório, espera-se aumento de 265 mil b/d da produção brasileira de óleo bruto e gás natural. Trata-se de indicador expressivo, ainda que inferior às projeções anteriores da IEA em 60 mil b/d.

Os resultados da Petrobrás no primeiro trimestre “decepcionaram”, mas a empresa enfrenta os problemas. A produção na Bacia de Santos aumentou 195 mil b/d entre 2018 e 2019, mais do que compensando o declínio de poços maduros na Bacia de Campos, entre os quais Marlim e Roncador, e em áreas terrestres. Com o óleo negociado aos preços atuais, a Petrobrás poderá seguir saneando contas e investindo. Ficaram para trás os tempos em que predominavam a corrupção e a venda de combustíveis a preços abaixo do custo.

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