Mais recursos para as empresas de menor porte

Grupo vulnerável vinha tendo dificuldade para obter financiamentos indispensáveis ao seu funcionamento

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2020 | 03h00

Com o conjunto de medidas para estimular o acesso ao crédito anunciado na terça-feira passada, e que pode chegar a R$ 272 bilhões, o Banco Central (BC) procura responder às críticas de que o socorro financeiro anunciado no início da pandemia do novo coronavírus não estava chegando às empresas de menor porte. Naturalmente mais vulneráveis a problemas financeiros do que as grandes companhias, especialmente em crises como a atual, as micro, pequenas e médias empresas vinham tendo grandes dificuldades para obter financiamentos indispensáveis para preservar suas atividades em tempo de brusca redução da atividade econômica.

O programa de auxílio anunciado em março, no início do impacto da pandemia sobre a economia e sobre a vida das pessoas, foi estimado em R$ 1,2 trilhão, quantia considerada suficiente para assegurar que o sistema financeiro dispusesse de recursos para atender à demanda de crédito. Mas o dinheiro ou ficou represado nos bancos ou foi direcionado especialmente para as empresas de maior porte. Famílias e empresas menores praticamente ficaram fora do programa.

O próprio BC reconheceu o problema. “As empresas de menor porte continuam encontrando dificuldades no acesso a linhas de crédito que as possibilitem atravessar esse momento de incertezas”, admitiu em nota.

O diretor de Fiscalização, Paulo Souza, disse que o BC percebeu que, “nas últimas três semanas, o crédito passou a sofrer arrefecimento”. Para muitas empresas menores e famílias carentes de crédito o problema talvez seja mais antigo. Espera-se que o conjunto anunciado agora contemple esse segmento.

Uma das medidas permite a redução temporária do capital requerido pelo BC de cooperativas e instituições financeiras menores, o que na prática libera mais recursos para elas concederem empréstimos. Outra libera parte dos depósitos em poupança nos bancos do recolhimento do depósito compulsório, o que igualmente deixa mais dinheiro livre para a concessão de crédito. Neste caso, se o banco não atingir determinados parâmetros de utilização de depósitos em poupança para empréstimos, a parcela não utilizada que ficar depositada no BC não será remunerada. Por fim, após edição de medida provisória, bancos poderão refinanciar valores já quitados de financiamentos imobiliários.

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