Mais um ano de imprevistos para as montadoras

Falta de componentes, que já vinha provocando paralisias parciais nas linhas de montagem, deve se estender por mais tempo

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2021 | 03h00

Embora não pelas mesmas razões, este ano tem sido, para as montadoras, quase tão cheio de eventos inesperados como foi 2020. “Teremos algumas emoções até o fim do ano”, previu o presidente da associação dessas empresas, a Anfavea, Luiz Carlos Moraes, ao comentar os resultados da indústria automobilística em maio e apontar problemas que podem afetar a produção nos próximos meses.

No ano passado, logo após os registros de casos de infecção pelo novo coronavírus no Brasil, as montadoras, como outros segmentos da economia, tiveram de reduzir drasticamente suas atividades, até paralisando-as por completo. Neste ano, especialmente em março e abril, o recrudescimento da pandemia afetou a produção das montadoras.

A falta de componentes, o fator novo, que já vinha provocando paralisias parciais nas linhas de montagem, deve se estender por mais tempo. Pode haver novas interrupções, que acabarão por afetar a produção também no segundo semestre.

A Anfavea mantém sua previsão de que a produção total de 2021 deverá alcançar 2,5 milhões de unidades, pois o cálculo já leva em conta o risco de interrupção temporária no fornecimento de alguns componentes.

O problema é mundial. “Até o fim do ano, podemos ter no mundo e no Brasil paradas por falta de semicondutores”, prevê Moraes. Trata-se de um componente essencial dos veículos modernos que ficou escasso no mercado mundial. Eles fazem parte também de aparelhos e equipamentos eletrônicos cuja demanda explodiu em razão das medidas que obrigaram as pessoas a permanecer em casa.

A produção mundial de semicondutores está no limite da capacidade existente. Mas seu design e a complexidade da unidade industrial para produzi-lo não permitem aumento rápido da fabricação. Daí o problema das montadoras e de outros setores.

Em maio, a produção das montadoras foi de 192,8 mil unidades, 1% maior do que a de abril. O enorme crescimento de 347,6% sobre maio do ano passado serve apenas para lembrar como a indústria automotiva foi afetada no início da pandemia. As vendas internas, de 188,7 mil veículos, foram 7,7% maiores do que as de abril. Nos cinco primeiros meses do ano, o total produzido foi de 981,5 mil unidades. A receita com exportações em maio alcançou US$ 693,36 milhões.

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