Melhora incipiente do ânimo dos consumidores

Índice de Consumo das Famílias apurado pela FecomercioSP cresceu por dois meses consecutivos e atingiu 93,5 pontos em agosto

O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2019 | 04h00

Enquanto a economia dá sinais tímidos de reação, exibidos no crescimento de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) entre o primeiro e o segundo trimestres de 2019 e na contratação de empregados com carteira assinada, levantamentos feitos por setores de varejo mostram que é incipiente o avanço registrado tanto na confiança como na disposição de consumo das famílias.

É o caso do Índice de Consumo das Famílias (ICF) apurado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), que cresceu por dois meses consecutivos e atingiu 93,5 pontos em agosto. O indicador é 8% superior ao de agosto de 2018, mas ainda se situa abaixo da linha de 100 pontos que separam os campos positivo e negativo.

Depois de melhorarem em 2018, os levantamentos da FecomercioSP mostraram deterioração da confiança entre fevereiro e junho de 2019, seguida de reação em julho e agosto. As pesquisas da entidade têm como objetivo fornecer elementos para a tomada de decisão das empresas. Os analistas da FecomercioSP recomendam prudência aos comerciantes. Mais recomendável, observam, é manter-se atento às movimentações do mercado internacional, para melhor prever variáveis como as cotações cambiais, que afetam tanto as decisões de compra de mercadorias quanto os fluxos de caixa das companhias.

Segundo os especialistas da entidade, os indicadores continuarão evoluindo positivamente nos próximos meses. A melhora se baseia na hipótese de que continue havendo mais oferta de vagas de trabalho e tendência de queda de juros. Os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua revelam que é próximo de 25 milhões o número de pessoas desempregadas, com subemprego ou em desalento.

A evolução positiva prevista dos indicadores de consumo se deve, em parte, à liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Mas, nas diversas pesquisas divulgadas nas últimas semanas, predomina a evolução lenta da confiança do consumidor. Este sabe melhor do que ninguém como é difícil de encontrar oportunidades no mercado de trabalho, em especial vagas de boa qualidade.

Inflação baixa, liberação de recursos e recuo de juros podem estimular o consumo, mas muitas famílias ainda não superaram as dificuldades percebidas na fase recessiva.

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