Menos arroz e mais soja em safra recorde

Colheita prevista é suficiente para assegurar o abastecimento do mercado interno, sem risco de escassez

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2020 | 03h00

Num período em que o País deverá registrar novo recorde de produção de grãos na safra 2020/2021, a de arroz deverá alcançar 10,96 milhões de toneladas, de acordo com o segundo levantamento da próxima colheita feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). É um volume 0,7% maior do que o previsto no primeiro levantamento, mas 2,0% menor do que o colhido na safra anterior, de 11,18 milhões de toneladas. O preço do arroz tem pressionado a inflação nos últimos meses, mas as novas projeções estão longe de indicar ou sugerir a persistência da alta do produto para o consumidor final.

A colheita prevista é suficiente para assegurar o abastecimento normal do mercado interno, de modo que não há, pelos dados disponíveis, risco de escassez de arroz para o consumidor brasileiro. Também não há razões para supor que os preços internos continuarão pressionados. Nos últimos meses, a alta do dólar impulsionou as exportações de arroz e de outros produtos do agronegócio, pois ofereceu oportunidades reais de ganhos para os exportadores. Esse movimento pode ter reduzido temporariamente a oferta interna e impulsionado os preços nos supermercados. Além disso, os preços domésticos são fortemente vinculados às cotações dos produtos no mercado internacional e à taxa de câmbio.

O governo chegou a reduzir as tarifas para a importação de um determinado volume de arroz, para tentar conter a alta do preço para o consumidor. Mesmo assim, o preço do produto, essencial na mesa do brasileiro, subiu muito, praticamente 60% no ano, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) calculado pelo IBGE. A expectativa é de que, com a entrada no mercado da nova safra, no início de 2021, os preços internos comecem a ceder.

A próxima safra de grãos deverá alcançar 268,9 milhões de toneladas, o que representa aumento de 11,9 milhões de toneladas (ou 4,6%) em relação à colheita de 2019/2020. Será mais um recorde alcançado pelo setor agrícola, como ocorre há anos.

A nova estimativa mensal da Conab leva em conta a recuperação da produtividade das culturas da soja e do milho da primeira safra, “severamente prejudicadas pela estiagem de 2019”. A produção de soja deverá alcançar 135 milhões de toneladas, confirmando a posição do Brasil como maior produtor mundial da oleaginosa.

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