Mesmo na crise, 782,7 mil novas empresas

Criação de uma empresa individual foi a alternativa pela qual optou parte dos trabalhadores que perderam o emprego na pandemia

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2020 | 03h00

A abertura líquida de 782.664 empresas no período de maio a agosto, com a atividade econômica ainda sofrendo os efeitos da pandemia, é um resultado de certo modo surpreendente. Muitas empresas interromperam ou encerraram suas atividades no período. Mas o Mapa de Empresas da Secretaria Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia mostra que, no segundo quadrimestre, houve a abertura de 1,114 milhão de firmas, 6% mais do que no quadrimestre anterior. É também 2,0% maior do que o registro de um ano antes. No quadrimestre, 331.569 empresas encerraram suas atividades, quantidade 6,6% menor do que a registrada de janeiro a abril.

O fato de que 85% das empresas (ou 944.469 firmas) que surgiram no período serem de empreendedores individuais, incluindo os microempreendedores, explica boa parte de um fenômeno aparentemente paradoxal num período de aguda retração da atividade econômica. A criação de uma empresa individual foi a alternativa pela qual optou parte dos trabalhadores que perderam emprego no período.

No fim de agosto, o País tinha 19,289 milhões de empresas ativas, número 4,5% maior do que o do fim de abril. Do total, 13,783 milhões são empreendedores individuais ou microempreendedores individuais (MEIs). O setor de serviços abriga 45,9% das empresas em operação. Em seguida vêm comércio (com 35,2%), indústria de transformação (9,5%), construção civil (8,1%), agropecuária (0,7%), extrativa mineral 0,1%) e outras (0,5%).

Um dado animador informado pelo Ministério da Economia é a redução do tempo de abertura de uma empresa. No segundo quadrimestre, de acordo com o governo, esse tempo foi de 2 dias e 21 horas, com redução de 1 dia em relação à média do quadrimestre anterior. É um número muito menor do que o considerado pelo relatório Doing Business, preparado pelo Banco Mundial, no qual o Brasil, com média de 16,6 dias, ocupa a 138.ª posição entre 190 países.

Medidas de simplificação propiciadas pela Lei de Liberdade Econômica, de setembro de 2019, entre as quais a eliminação de diversas exigências, são mencionadas pelo Ministério da Economia para explicar a redução notável do tempo. Os efeitos dessas medidas não foram captados pela última edição do Doing Business.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.