Movimento do aço mostra atividade fraca

Será necessária uma recuperação muito grande nos próximos meses para que a atividade das aciarias volte aos patamares anteriores à crise

O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2019 | 05h00

Os resultados da produção, das vendas e da exportação de aço bruto foram muito fracos em julho, segundo o Instituto Aço Brasil.

Números tão pouco expressivos sobre um dos principais termômetros do ritmo da atividade industrial evidenciam a fragilidade da economia brasileira no início deste semestre.

Será necessária uma recuperação muito grande nos próximos meses para que a atividade das aciarias volte aos patamares anteriores à crise.

O aço é matéria-prima essencial à produção de veículos, máquinas e equipamentos. É, portanto, um indicador importante para avaliar o investimento, mas também o consumo de itens de valor elevado. Como a indústria automobilística tem apresentado comportamento positivo, parece evidente que o maior problema está na falta do investimento.

A produção de aço bruto em julho, de 2,4 milhões de toneladas, foi inferior à de maio e à de junho e caiu 20,6% em relação à de julho de 2018, quando atingiu 3,1 milhões de toneladas. As maiores quedas foram registradas em produtos semiacabados para vendas, como placas e ferro-gusa. O recuo foi pouco expressivo na produção de laminados, em especial os planos. Esses produtos se destinam, entre outros, à fabricação de rodas, peças automotivas, tubos e cilindros de gás. São também empregados na construção de edifícios, pontes, ferrovias e em chassis de automóveis ou de caminhões.

As vendas internas de aço, de 10,7 milhões de toneladas nos primeiros sete meses do ano, caíram 0,5% na comparação com igual período de 2018. As exportações de 7,7 milhões de toneladas caíram 1,8% e o valor exportado, de US$ 4,6 bilhões, foi 6% inferior ao de 2018. Os recuos na produção de aço bruto e de laminados e semiacabados para vendas afetam principalmente os Estados de Minas Gerais (maior produtor), Rio de Janeiro e Espírito Santo.

A competitividade do aço brasileiro caiu em relação a outros grandes produtores, como China (que elevou a produção de 9,9% entre os primeiros semestres de 2018 e de 2019), União Europeia, Japão, Estados Unidos e Comunidade dos Estados Independentes (CEI).

Na América Latina, só no México e na Venezuela a queda foi superior à do Brasil.

O aço é um exemplo dos efeitos do custo País, que limita a competitividade dos produtos brasileiros.

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