Mudanças que a pandemia impôs ao consumo

Com o isolamento, alta do consumo foi puxada por itens como alimentos, produtos de limpeza e higiene, materiais de construção e serviços de saúde

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2021 | 03h00

Era inevitável que a mudança de hábitos imposta às famílias pela pandemia afetasse seus gastos. Mas não se sabia quanto os orçamentos domésticos tinham sido modificados pelas medidas necessárias à contenção da covid-19, como a limitação das vendas presenciais, o distanciamento social, o trabalho a distância e, em consequência, a permanência das pessoas por mais tempo em suas casas. Agora surgem dados mais precisos sobre o impacto da pandemia nas finanças domésticas.

Houve mudanças relevantes nos gastos das famílias, como mostra uma pesquisa inédita da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) que procura dimensionar as variações de curto e médio prazos na estrutura de consumo da população paulista.

Um dado que pode surpreender é o que mostra que, apesar das restrições exigidas pelo combate à pandemia e de seus efeitos sobre a atividade econômica e sobre o emprego e a renda das pessoas, os gastos das famílias cresceram no ano passado.

Em média, os paulistas gastaram 1,9% mais por mês em 2020 do que haviam gastado no ano anterior. Em valor, a despesa familiar média com consumo passou de R$ 4.197,73 em 2019 para R$ 4.276,82 no ano passado, de acordo com a pesquisa Ticket Médio Familiar (TMF) da FecomercioSP. A pesquisa é baseada em estatísticas da Fundação Seade, do IBGE e de outras fontes.

Como as pessoas tiveram de ficar mais tempo em casa e parte passou a trabalhar em regime de home office, a alta do consumo foi puxada por itens como alimentos, produtos de limpeza e higiene, materiais de reforma e construção e serviços de saúde.

O gasto médio mensal familiar com artigos de reforma e construção, por exemplo, aumentou 16,9%. Aumentos significativos tiveram também os gastos com alimentação (12,1%), produtos de limpeza e higiene (também 12,1%) e serviços de saúde (7,2%). Em 2019, esse grupo respondeu por 50,7% dos gastos familiares; no ano passado, por 55,8%. Em contrapartida, caíram os gastos com combustível (4,5%) e as despesas com manutenção de veículos (4%).

Outra mudança foi o mês de menor gasto. Tradicionalmente fevereiro, em 2020 foi abril, quando o impacto da pandemia sobre a vida das pessoas foi mais intenso.

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