Na pandemia, surgem mais empresas

Só no segundo quadrimestre, foi aberto 1,114 milhão de CNPJs e encerrados 331,5 mil, resultando em 728,6 mil novos negócios

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2020 | 03h00

É possível que o número de novos microempreendedores individuais (MEIs) seja recorde neste ano. Só no segundo quadrimestre, foi aberto 1,114 milhão de CNPJs e encerrados 331,5 mil, resultando no saldo de 728,6 mil novos empreendimentos, como mostrou reportagem do Estado. A grande maioria dessas novas atividades é formada por microempreendedores individuais. É o maior número de novas empresas para o período desde 2010. A tendência se mantém e deve perdurar pelo menos até o fim do ano.

Esta é uma das consequências da pandemia de covid-19 sobre o mundo empresarial e do trabalho. Muitos trabalhadores perderam emprego ou tiveram o rendimento reduzido depois da chegada da pandemia (os primeiros casos no Brasil foram registrados em fevereiro, mas a crise sanitária ficou evidente em março). Parte deles viu na sua transformação em MEI uma alternativa de substituição ou complementação de renda.

Os dados observados no segundo quadrimestre de certo modo repetem os de meses anteriores, quando a procura de alternativas de ocupação e renda se intensificou com a crise da covid-19. “As pessoas precisam se reinventar, seja porque perderam o emprego ou precisam de renda extra”, explicou o economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) Rodolpho Tobler.

A reportagem mostra casos de êxito notável entre os novos microempreendedores, alguns forçados a buscar renda extra em razão da perda do emprego anterior, outros por verem nichos que podem ser explorados e outros ainda por verem oportunidades novas como MEIs. Nem todos os novos empreendimentos alcançam resultados como esses.

Além da facilidade para a abertura de empresa proporcionada por medidas de desburocratização aprovadas nos últimos tempos, outros fatores podem ter sido determinantes para que muitos que perderam renda optassem por constituir uma MEI. Com contribuição relativamente baixa, podem obter cobertura previdenciária (aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade). Também poderão emitir notas fiscais, o que facilita seus negócios com outras empresas.

No fim do segundo quadrimestre, havia 19,289 milhões de empresas ativas no País, das quais 90% de pequeno porte e MEIs. Em setembro, o saldo foi de 252,8 mil novas empresas.

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