No IBC-Br, a fragilidade da recuperação

Ritmo de crescimento é insuficiente para aliviar alguns dos principais problemas que afligem a população, como o desemprego, a má qualidade do trabalho para parte dos que têm ocupação fixa ou temporária e a consequente estagnação da renda

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2019 | 04h00

Com a discreta alta de 0,07% em agosto, na comparação com o mês anterior, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) recuperou a perda registrada no mês anterior. Assim, o índice de agosto ficou praticamente igual ao de junho (138,36 contra 138,35), uma indicação clara de que a economia pouco evoluiu no período.

O resultado pode ser avaliado por um aspecto animador: é o maior desde janeiro, no início do governo Bolsonaro, quando alcançou 138,70 pontos. Dos oito primeiros meses do atual governo, apenas em três o IBC-Br subiu na comparação mensal.

O IBC-Br é considerado uma prévia do desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) calculado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados recentes fortalecem as previsões de que a economia brasileira crescerá entre 0,9% e 1% neste ano. A projeção atual do Banco Central é de expansão de 0,9% do PIB neste ano. Algumas instituições financeiras estão revendo suas estimativas, antes iguais ou inferiores à do Banco Central, para 1%.

É uma expansão muito modesta, bastante próxima da registrada nos dois anos anteriores, nos quais o PIB cresceu 1,1%. É um ritmo de crescimento insuficiente para aliviar alguns dos principais problemas que afligem a população, como o desemprego ainda em níveis muito altos, a má qualidade do trabalho para parte dos que têm ocupação fixa ou temporária e a consequente estagnação da renda.

Para que essas projeções sejam efetivamente alcançadas, a economia terá de apresentar um desempenho melhor do que o registrado até agosto. Naquele mês, a atividade econômica medida pelo IBC-Br foi 0,73% menor do que a de um ano antes. Nos oito primeiros meses do ano, a alta foi de 0,66% em relação a igual período de 2018. No acumulado de 12 meses encerrados em agosto, teve expansão de 0,87% em relação aos 12 meses anteriores.

São números que mostram uma economia “caminhando de lado” e que “não ganha tração”, na avaliação do economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Camargo Rosa. O economista considera que a inflação baixa é reflexo do desempenho fraco e da alta ociosidade da economia. Mesmo sinais positivos, como a alta da indústria, devem ser examinados com cautela, pois a recuperação ainda é frágil.

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