No setor externo, um cenário desafiador

Balança comercial, entre janeiro de 2019 e janeiro de 2020, passou de um superávit de US$ 1,70 bilhão para um déficit de US$ 1,75 bilhão

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2020 | 04h00

A guinada de 180° no saldo da balança comercial entre janeiro de 2019 e janeiro de 2020 – passou de um superávit de US$ 1,70 bilhão para um déficit de US$ 1,75 bilhão – reforça a tendência observada há vários meses, de queda mais rápida das exportações do que das importações (estas caíram em relação a janeiro do ano passado, mas subiram na comparação com dezembro). Os saldos acumulados em 12 meses continuam positivos, o que reduz as pressões sobre as contas externas do País, cujo déficit vem sendo coberto com folga pelo ingresso de investimentos estrangeiros diretos.

Mas o saldo comercial alcançado entre fevereiro de 2019 e janeiro último (de US$ 42,2 bilhões) é 24,1% menor do que o dos 12 meses anteriores (de US$ 56,91 bilhões). Os principais fatores que têm reduzido o dinamismo das exportações brasileiras persistem e em grande parte estão fora do alcance de decisões que podem ser tomadas no País.

A redução de 20,2% do valor exportado em janeiro, na comparação com um ano antes, dá a dimensão da perda de vigor das vendas externas. Entre os produtos que mais perderam espaço estão os manufaturados, seguidos dos semimanufaturados, o que mostra, mais uma vez, as dificuldades que o baixo dinamismo do comércio mundial impõe sobretudo ao setor industrial brasileiro.

Um fator específico pode explicar parte do déficit em janeiro. A base de comparação – o valor exportado em janeiro de 2019 – é particularmente alta, porque naquele mês foi registrado um embarque de plataforma de petróleo que não se repetiu.

Mas o resultado pode ser atribuído também ao cenário externo, de redução das projeções do crescimento da economia global pelas principais organizações multilaterais, o que afeta a demanda por produtos brasileiros. O acordo comercial entre os Estados Unidos e a China, embora ainda embrionário, igualmente poderá reduzir as compras chinesas de produtos brasileiros. A China é o principal destino das exportações brasileiras, seguida justamente pelos Estados Unidos. Por fim, a redução dos preços de itens de grande peso nas exportações igualmente afetará a balança comercial.

Do lado das importações, a retomada do crescimento aquecerá a demanda de matérias-primas, insumos e bens finais produzidos no exterior, reduzindo o saldo comercial.

É um cenário desafiador.

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