Números do encolhimento do setor industrial

A redução da fatia da indústria no PIB, tendência observada em outros países, parece mais acentuada e precoce no Brasil

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2021 | 03h00

O setor industrial está encolhendo. O número de empresas industriais em operação caiu de 334.976, em 2013, para 306.345, em 2019, de acordo com a Pesquisa Industrial Anual – Empresa (PIA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É uma redução de 8,6%, puxada sobretudo pela diminuição do número de indústrias de transformação, que formam a ampla maioria das empresas industriais do País (97,9% do total; o restante é formado por indústrias extrativas).

A queda do número de empregados é ainda mais notável. Em seis anos, as indústrias perderam 1,4 milhão de empregos. O total de empregados caiu de 9,0 milhões, em 2013, para 7,6 milhões, em 2019. É uma redução de 15,6%. Pouco dessa perda de empregos poderá ser justificado por fatores positivos do ponto de vista da eficiência da economia brasileira, como modernização do parque produtivo, utilização mais intensa de novas tecnologias, automação e inovação.

Ainda que fatores como esses possam ter estado presentes em alguns segmentos específicos nos últimos anos, eles não resultaram em ganhos de eficiência notáveis para todo o setor industrial. Assim, a redução da fatia da indústria no Produto Interno Bruto (PIB), tendência observada em muitos outros países, parece mais acentuada e mais precoce no Brasil.

A receita líquida de vendas da indústria alcançou R$ 3,6 trilhões em 2019. Desse total, as indústrias extrativas responderam por 6,1%. É uma fatia maior do que a do número de empresas desse segmento no total industrial, porque entre elas estão gigantes dos setores de petróleo e de mineração. O destaque, assim, é para o desempenho dos setores de extração de petróleo, gás natural e minerais metálicos.

Entre as indústrias de transformação, consolidou-se a posição das de produtos alimentícios, que respondem por 20,5% do faturamento total desse segmento. Ao crescimento e à consolidação da participação da indústria de alimentos vem correspondendo a redução da presença da indústria de veículos. Entre 2010 e 2019, sua participação na receita líquida da indústria caiu da segunda para a quarta posição.

Quanto a salários, os mais altos são pagos pelas indústrias extrativas, com média de 4,6 salários mínimos. Mas essa média é mais de 20% menor do que a de 2010.

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