O aumento das concessões de crédito livre

Em outubro, o crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$ 11,7 trilhões, equivalente a 160,9% do PIB

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2020 | 03h00

Com a economia ainda em recuperação dos impactos negativos da pandemia de covid-19, que reduziu drasticamente a atividade empresarial e restringiu a circulação das pessoas depois de março, e em momento de carência de recursos financeiros, as famílias e as empresas aumentaram sua demanda por algumas linhas de crédito nos bancos. No momento em que a abertura de economia se acentua e as restrições à movimentação das pessoas são atenuadas – embora em algumas regiões tenha havido a adoção de novas medidas para evitar aglomerações –, as concessões de empréstimos pelos bancos na modalidade crédito livre estão crescendo.

Em outubro, o crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$ 11,7 trilhões (160,9% do PIB), como informou o Banco Central (BC). Esse valor é 1,8% maior do que o de setembro; em 12 meses, a variação é de 16,8%.

De acordo coma nota do Banco Central, a variação em relação a setembro, bem como no acumulado de 12 meses, decorreu de aumentos nos empréstimos e financiamentos (1,4%, com destaque para o crédito do Sistema Financeiro Nacional), nos títulos de dívida e na dívida externa (2,3%, variação porcentualmente idêntica à depreciação cambial de 2,3% no mês).

Ainda de acordo com a nota do BC, o crédito ampliado a empresas e famílias totalizou R$ 6,6 trilhões (91,7% do PIB), com elevações de 1,2% no mês e de 19,2% em 12 meses. No mês, os empréstimos e financiamentos cresceram 1,4%.

Mesmo com todas as dificuldades das famílias e das empresas para fechar suas contas do fim do mês em razão da aguda retração da atividade econômica, do aumento do desemprego e da queda de renda de boa parte dos que conseguiram manter suas ocupações, a inadimplência média no crédito livre com os bancos diminuiu. De setembro para outubro, baixou de 3,2% para 3,1% (de 1,6% para 1,5% no caso das empresas e de 4,6% para 4,5% para as pessoas físicas). Ainda que tenha sido discreta, a redução é um sinal positivo.

Já as taxas de juros seguem rumo inverso, embora também com variação pequena. No crédito livre, a taxa média passou de 25,8% em setembro para 26,5% ao ano em outubro. Para as pessoas físicas, foi de 38,0% para 38,9% ao ano. A taxa mais alta do mercado, a do crédito rotativo do cartão, subiu 7,8 pontos em um mês, alcançando 317,5% ao ano em outubro.

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