O avanço da inflação de 12 meses

Dos nove grupos de produtos e serviços que compõem índice inflacionário do IBGE, sete tiveram alta de preços em julho

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2021 | 03h00

A inflação acumulada de 12 meses, há algum tempo acima do limite de tolerância da política de meta inflacionária, continua a subir. Fatores que poderiam contribuir para reduzir a alta em julho não estão tendo o efeito esperado e outros, cuja pressão sobre o índice de preços era previsível, estão mostrando força.

Assim, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – baseado nos preços coletados entre 15 de junho e 13 de julho, como antecipação da variação de todo o mês – foi de 0,72%.

A variação é 0,11 ponto porcentual menor do que a de junho (0,83%). Mas é a maior para o mês de julho desde 2004 e suficiente para elevar o acumulado de 12 meses para 8,59% (em junho, o acumulado fora de 8,13%). A inflação anualizada tem estado acima da meta fixada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. A meta para este ano é de 4,0%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima e para baixo.

Dos nove grupos de produtos e serviços que compõem o índice inflacionário do IBGE, sete tiveram alta de preços em julho. O que teve maior impacto sobre a variação do período foi o grupo Habitação. Nesse grupo, a maior influência foi da energia elétrica, com alta de 4,79% no mês.

Em junho, com aumento de 3,85%, a energia elétrica já havia pressionado o IPCA-15. Outros itens ligados à energia também tiveram alta expressiva no mês: gás de botijão subiu 3,89% e gás encanado teve alta de 2,79%.

Os preços do grupo Alimentação e bebidas, que tiveram forte efeito sobre a inflação até o início deste ano, agora têm variação mais contida. No IPCA-15 de julho, subiram 0,49%, contribuindo com 0,10 ponto para a variação agregada do mês.

O resultado do IPCA-15 teve a pressão conjunta dos preços dos bens industriais e dos serviços. Embora os preços de produtos industriais tenham desacelerado (subiram 0,70%, ante 1,04% em junho), continuam a pressionar o IPCA. Previa-se redução mais intensa.

Já a alta dos serviços passou de 0,30% em junho para 0,71% em julho. A retomada das atividades presenciais, predominantes em vários segmentos dos serviços, deve aumentar a pressão sobre os preços.

O resultado do índice agregado reforça as previsões de que a inflação do ano deve ficar próxima de 7%.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.