O competitivo leilão de linhas de transmissão

A criação de um ambiente regulatório seguro para os investidores é essencial para o alto nível da competição

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2020 | 03h00

A média de 13,5 ofertas por lote mostra a atratividade do leilão de empreendimentos de transmissão de energia realizado na quinta-feira passada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Um dos lotes teve 19 ofertantes. O deságio médio de 55,24%, o terceiro maior entre todos os leilões já realizados e alcançado num cenário fortemente marcado pelo impacto da pandemia sobre a atividade econômica e a vida das pessoas, mostra, de sua parte, o forte interesse nos empreendimentos e de até quanto os ofertantes estavam dispostos a abrir mão para vencer a disputa.

A presença, no leilão, de 55 grupos de diferentes perfis e dimensões – sendo 37 nacionais e 18 estrangeiros, incluindo transmissoras tradicionais, empresas praticamente desconhecidas no ramo e outras operadoras – é outro número que demonstra a disposição do setor privado de operar os empreendimentos ofertados.

O fato, segundo o diretor-geral da agência reguladora do setor de energia elétrica, André Pepitone, “confirma o grande interesse da iniciativa privada, e o setor elétrico se consolida na rota dos investimentos nacionais e internacionais”.

Além do interesse do setor privado em investir na área, o diretor-geral da Aneel inclui outro fator para o alto nível de competição observado na disputa e para a participação de grupos estrangeiros: o trabalho para a criação de um ambiente regulatório seguro para os investidores.

O resultado do leilão pode levar a investimentos de R$ 7,3 bilhões na construção de 16 linhas de transmissão e 12 subestações. O alto deságio médio, de sua parte, pode garantir repasse menor de preços para a conta dos consumidores.

Além do interesse dos investidores, outro fato que chamou a atenção no leilão foi a ação de uma empresa relativamente nova no setor – a MEZ Energia, fundada no ano passado –, que arrematou 5 dos 11 lotes ofertados. Também chamou a atenção a participação da chinesa Jiangsu Shemar Electric, que disputou apenas um lote, e perdeu.

Os lotes com previsão de maior volume de investimentos foram, em geral, arrematados por empresas de porte e conhecidas do setor de transmissão. Em média, no entanto, as grandes empresas do setor elétrico mostraram uma postura conservadora, daí a presença mais forte de empresas menores entre as vencedoras. 

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