O crédito reagiu em maio

Em maio, o volume novos empréstimos registrou alta em relação a abril de 11,8% para pessoas jurídicas e de 5,5% para pessoas físicas

O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2019 | 04h00

Medido pelo volume de concessões – ou seja, pelos novos empréstimos –, o crédito registrou reação em maio, com alta em relação a abril de 11,8% para pessoas jurídicas e de 5,5% para pessoas físicas. É um indicador positivo, em contraste com o estoque de empréstimos que cresceu no período apenas 0,1% para pessoas jurídicas e 0,9% para pessoas físicas. O crescimento das concessões é menos expressivo se for medido por dados dessazonalizados, mas ainda assim o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central (BC), Fernando Rocha, acredita que o avanço “está sendo mais rápido neste ano”. A aceleração se dá nas operações livres; o crédito direcionado perde vigor.

Entre maio de 2018 e maio de 2019, o estoque de crédito cresceu 5,5% e atingiu R$ 3,29 trilhões. Mas, enquanto o crédito livre subiu 12,9%, o direcionado caiu 2,8%. Só o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) reduziu em 8%, em 12 meses, o financiamento a investimentos. A queda corresponde a mais de R$ 35 bilhões.

Como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), houve um leve aumento do crédito, de 47,1% em abril para 47,2% em maio, crescimento de 0,4 ponto em 12 meses.

Aumentaram, em especial, as operações de capital de giro e desconto de duplicatas das empresas, o que pode ser um sinal favorável da atividade econômica. É cedo, no entanto, para alimentar otimismo, pois até o BC tem se mostrado cético quanto à recuperação.

O custo do crédito livre continua muito elevado: em média, foi de 19,5% ao ano para pessoas jurídicas e de 52,9% ao ano para pessoas físicas, recuo médio de apenas 0,6 ponto porcentual em 12 meses.

O aumento dos empréstimos das empresas para aquisição de veículos (+70,3% em 12 meses) parece se dever à renovação das frotas de autos das locadoras e à constituição de frotas de caminhões por algumas grandes companhias.

Com a política de enxugamento do BNDES houve equilíbrio, em maio, entre o estoque de crédito dos bancos estatais e dos bancos privados nacionais e estrangeiros. Em 12 meses, o saldo dos estatais caiu 1,2%, enquanto o dos privados nacionais cresceu 13,5% e o dos estrangeiros, 12,5%.

O crédito é essencial para a retomada da economia. Mas a resistência dos juros inibe a demanda.

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