O crescimento da busca por crédito

Dados da Serasa Experian mostram que, nos oito primeiros meses do ano, o número de pessoas que buscaram financiamento aumentou 10,3%

O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2019 | 04h00

Os juros do crédito concedido ao consumidor pelas instituições financeiras com recursos livres continuam altos, mas o fato de estarem caindo há tempos parece estimular mais pessoas a buscar essa e outras modalidades de empréstimo bancário. Como mostrou reportagem do Estado, a demanda do consumidor por financiamentos teve, até agosto, a maior expansão desde o início da década.

Dados da Serasa Experian mostram que, nos oito primeiros meses do ano, o número de pessoas que buscaram financiamento aumentou 10,3% em relação a igual período de 2018. Essa expansão só foi menor do que a registrada em 2010, mas então, ao contrário do que se observa no momento, a economia crescia com grande rapidez. O Produto Interno Bruto (PIB) do País aumentou 7,5% naquele ano, segundo o IBGE; neste ano, de acordo com as projeções dominantes no mercado, deve crescer 1%, um pouco menos do que a expansão observada nos anos anteriores (aumento de 1,1% em 2017 e em 2018).

Embora continuem frágeis, os sinais de que a atividade econômica está se aquecendo, os juros em queda para o consumidor – ainda que essa queda seja bem mais lenta do que a da taxa básica de juros, a Selic – e a lenta redução dos índices de desemprego estão dando um pouco mais de confiança a uma parcela da população, estimulando-a a buscar financiamentos.

A preocupação predominante entre os que procuram as linhas de financiamento é a redução de suas dívidas. Os créditos concedidos para a renegociação de dívidas aumentaram 32,9% nos oito primeiros meses de 2019, na comparação com igual período do ano passado. Essa foi a maior expansão entre as linhas de financiamentos concedidos para pessoas físicas com recursos livres dos bancos.

O crédito consignado, de custo relativamente menor do que o das demais linhas em razão das garantias dadas pelo tomador do empréstimo nesse tipo de operação, ficou em segundo lugar, com aumento de 32,5%. Em seguida vêm o cartão de crédito parcelado (aumento de 30,5%) e o crédito pessoal (22,3%). São indicações de que os brasileiros estão buscando dinheiro para pagar dívidas ou para complementar o orçamento.

O crescimento dos financiamentos para compra de bens de maior valor é mais lento, o que sugere expansão também modesta do consumo.

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