O custo da dívida pública recua mais

Em julho, houve mais resgates do que emissões de novos títulos da dívida mobiliária, mas o estoque não caiu, por causa da apropriação de juros de R$ 25,75 bilhões no mês

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2019 | 04h00

A melhor notícia de julho sobre a vultosa dívida do Tesouro Federal é que o custo da sua manutenção continuou em queda, o que propicia ligeiro alívio para a política econômica. Entre dezembro de 2018 e julho de 2019, o custo médio das emissões internas caiu de 7,64% para 7,11% ao ano. Esse custo era de 7,12% ao ano em junho e deve cair mais nos próximos meses, se for possível manter a política de redução da taxa básica de juros, como prevê a maioria dos analistas econômicos.

Em julho, houve mais resgates do que emissões de novos títulos da dívida mobiliária, mas o estoque não caiu, por causa da apropriação de juros de R$ 25,75 bilhões no mês. É o que explica o aumento do saldo da dívida de R$ 3,978 trilhões para R$ 3,993 trilhões entre junho e julho.

A administração da dívida tem observado os parâmetros definidos para o ano com relação aos papéis prefixados, corrigidos por índices de preços, com taxas variáveis conforme a evolução da Selic e indexados ao câmbio. A dívida mais cara é corrigida pela variação do dólar, mas o Tesouro parece evitar novas emissões e o saldo caiu em julho.

O maior tomador de títulos federais passou a ser o conjunto de entidades de Previdência, cujo peso no total da dívida passou de 23,91% em junho para 25,97% em julho. Quase R$ 1 trilhão em dívida mobiliária está nessa categoria, participação que pode crescer com a aprovação da reforma da Previdência e o aumento das aplicações em entidades abertas.

Também cresceu o programa Tesouro Direto, cujo objetivo é atrair pessoas físicas para o mercado de dívida mobiliária. Esse programa já alcança quase 4,7 milhões de pessoas.

Houve queda no peso das instituições financeiras e dos fundos de investimento, mas os investidores estrangeiros pouco alteraram sua participação. É sinal de que o Brasil continua sendo visto como bom pagador. Indiretamente, isso é confirmado pelo comportamento do seguro contra quebra representado pelo CDS, que tem oscilado ao redor dos 140 pontos nas últimas semanas, apesar do recrudescimento das tensões globais.

Além do volume de endividamento, sinal menos confortável em relação à dívida do governo diz respeito ao aumento da parcela de papéis com vencimento em prazo inferior a um ano, que passou de 14,13% em junho para 16,97% em julho.

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