O desempenho desigual da indústria

Alguns obstáculos à expansão dos negócios ou se mantêm ou se tornaram maiores, como o desemprego e a inflação

Notas & Informações*, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2021 | 03h00

O desempenho regional muito desigual da produção industrial nos últimos meses mostra que o setor secundário continua a enfrentar obstáculos para a retomada segura do crescimento. Em julho, a produção recuou em 7 dos 15 locais analisados pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM Regional) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa mostrou, também, que o recuo da produção na comparação com os resultados observados antes da pandemia de covid-19 se alastrou. Em 12 dos 15 locais pesquisados produz-se menos do que em fevereiro de 2020. Em janeiro de 2021, quando ainda eram fortes os sinais de recuperação, apenas sete locais produziam menos do que antes da pandemia.

No início do ano, a produção industrial nacional era 3,5% maior do que a de fevereiro de 2020; em julho, o resultado ficou 2,1% abaixo do período antes da pandemia.

Há uma combinação de fatores que, de um lado, podem impulsionar a atividade industrial e, de outro, comprimi-la. “Com o avanço da vacinação e maior circulação de pessoas, a indústria começa a mostrar sua realidade pré-pandemia”, avalia o analista da pesquisa do IBGE Bernardo de Almeida. A retomada gradual de atividades presenciais que estiveram contidas na fase mais aguda da pandemia vem, de fato, estimulando muitos segmentos, especialmente o comércio varejista e os serviços pessoais.

Mas alguns obstáculos à expansão dos negócios ou se mantêm ou se tornaram maiores, como o desemprego, que continua muito alto, e a inflação, em aceleração nos últimos meses, aproximando-se de dois dígitos no acumulado de 12 meses.

Como outras pesquisas do IBGE, “o resultado da indústria regional reflete o momento econômico”, completa Almeida.

Entre os locais analisados pelo IBGE, o que apresentou a maior queda na produção industrial em julho na comparação com junho foi o Amazonas, com redução de 14,4%. Já a produção de São Paulo, que diminuiu 2,9% no mês, foi a principal responsável para o resultado negativo do País, por causa do peso da indústria paulista na indústria nacional.

O desempenho da indústria paulista foi fortemente influenciado pela queda da produção de veículos, provocada pela falta de componentes eletrônicos, que interrompeu a produção em muitas fábricas. 

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