O desempenho e as perspectivas da economia paulista

O desemprego deve continuar alto, o suprimento de energia preocupa e há risco de racionamento ou apagões

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2021 | 04h00

O Produto Interno Bruto (PIB) do Estado de São Paulo vem tendo desempenho melhor do que o nacional. No trimestre encerrado em junho, cresceu 0,5% na comparação com os três meses anteriores. O PIB nacional encolheu 0,1% nessa comparação. Em relação a igual trimestre do ano passado, a expansão da economia paulista foi de 15,2%. No resultado acumulado de quatro trimestres, o aumento foi de 6,9%. São dados da Fundação Seade, órgão responsável pela produção de estatísticas paulistas.

Resultados antecipados para julho apontam redução de 0,7% em relação a junho, depois de três altas seguidas entre um mês e outro. Mesmo assim, o resultado acumulado de 12 meses é uma expansão de 7,1%, 0,2 ponto maior do que a observada até junho.

No resultado de 12 meses, vem sendo expressivo o desempenho da indústria, que acumula, até junho, aumento de 9% em relação aos 12 meses anteriores. Em boa parte, os expressivos resultados decorrem de um efeito estatístico: a base de comparação, fortemente afetada pela pandemia e pelas medidas de restrição à circulação de pessoas, é muito baixa.

Mesmo assim, as projeções para a economia do Estado de São Paulo em 2021 são de expansão entre 6,5% e 7,5%, com a média em 7,2%. No País, a expansão deve ficar entre 4,3% e 5,6%, com a média em 4,9%.

O cenário para os próximos meses, porém, é variado. Há boas perspectivas para alguns segmentos e sinais de alerta para outros. A recuperação do mercado imobiliário deve continuar firme, estimulando a geração de empregos. As exportações paulistas, que registram alta de 23,2% nos sete primeiros meses do ano em relação a igual período de 2020, deve manter a expansão. Com a flexibilização de medidas de contenção da propagação da covid-19, o comércio deve avançar mais rapidamente.

Entre os fatores que podem afetar a expansão, a Fundação Seade aponta dúvidas sobre a continuidade da expansão da indústria, sobretudo pelos problemas de falta de insumos. Há a persistência, e a aceleração, da inflação, que corrói rendas e força o endurecimento da política monetária, encarecendo os financiamentos.

O desemprego deve continuar alto, o suprimento de energia preocupa e há risco de racionamento ou apagões. A instabilidade no plano político gera cautela dos agentes econômicos e até paralisia de projetos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.