O desemprego longo, as vítimas e seus efeitos

Quanto mais tempo sem trabalho, maior será a perda de capital humano e menores as chances de o desempregado se recolocar no mercado

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2021 | 03h00

O desemprego prolongado, por prazo igual ou maior do que dois anos, vinha atingindo mais trabalhadores pelo menos desde 2014. A pandemia acentuou essa tendência e não só tornou ainda mais difícil a vida de mais pessoas, como pode comprometer o futuro delas por muitos anos.

Perda de interesse profissional, consequência por si dramática para quem fica muito tempo sem encontrar ocupação, talvez não seja o pior dos males. Mais grave, para o trabalhador e para o País, pode ser a perda de habilidades ou a perda de oportunidades para atualizar-se tecnicamente e para obter novos conhecimentos e aprender novas tecnologias.

 

É uma espécie de condenação de trabalhadores ao desempenho de funções mais simples, de menor remuneração e de menos oportunidades de ascensão. E a economia, já carente de profissionais qualificados necessários para melhorar sua competitividade, vê sua modernização retardada.

O perfil da pessoa que procura ocupação há pelo menos dois anos feito por estudo da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia é o de jovem, mulher e com baixa escolaridade, como mostrou reportagem do Estado.

Esse recorte da força de trabalho já era conhecido. A pandemia parece ter acentuado seus traços principais. De cada três pessoas desempregadas há muito tempo, duas são mulheres. Metade tem idade entre 17 e 29 anos. Do total, 80% têm baixa qualificação, tendo, no máximo, o nível médio de ensino; 38% do total não possuem nem esse nível.

Quanto mais tempo sem trabalho, maior será a perda de capital humano e menores as chances de o desempregado se recolocar no mercado. Há problemas antigos que o País não soube enfrentar e que levaram o mercado de trabalho à situação atual. O desemprego de longo prazo vem crescendo pelo menos desde 2014, quando já se prenunciava a recessão que afetaria o País nos dois anos seguintes.

Medidas de socorro a empregados e empregadores tomadas pelo governo no ano passado reverteram essa tendência, mas dados atualizados talvez mostrem que o efeito foi temporário. A saída de muitas pessoas da força de trabalho justamente por não encontrarem ocupação evitou o aumento mais expressivo da taxa de desemprego. Mas os efeitos da crise serão longos, de quase dez anos, advertiu recente estudo do Banco Mundial.

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