O emprego formal em São Paulo após a pandemia

Em outubro, Estado respondeu por 30% dos postos formais do País, mas nos dez primeiros meses, resultado é negativo

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2020 | 03h00

O desempenho do mercado de trabalho formal tem sido desigual no País ao longo do ano. Embora o impacto da pandemia tenha afetado a atividade econômica em todos os Estados, alguns estão mostrando recuperação mais intensa do que outros com relação ao número de trabalhadores com carteira assinada – e, portanto, com maiores garantias e proteção e geralmente com remuneração média mais alta do que a do trabalho informal. É o que mostra o boletim sobre o emprego formal elaborado pela Fundação Seade.

Mesmo tendo registrado aumento de 1% de setembro para outubro no número de empregos formais, o Estado de São Paulo não está em situação confortável em relação às demais Unidades da Federação. Em outubro, com a abertura de 119 mil postos de trabalho com carteira assinada, São Paulo respondeu por 30% de todo o emprego formal gerado no País no mês.

Mas, no acumulado dos dez primeiros meses do ano, o resultado ainda é negativo, pois no período o total de empregados formais diminuiu 92 mil, o que equivale a uma redução de 0,8% em relação ao número observado um ano antes, de acordo com o boletim da Fundação Seade. É uma redução mais acentuada do que a observada no País, que registrou queda de 0,4% no número de empregos com carteira assinada. No melhor desempenho do País, o Acre registrou aumento de 4,8% no emprego formal; o Rio de Janeiro, no extremo oposto, perdeu 5,1%.

No ano, as perdas de postos de trabalho formais em São Paulo foram mais intensas no setor de serviços (redução de 87 mil empregos) e de comércio (menos 91 mil). Houve queda também no número de postos com carteira assinada na indústria (3 mil), mas a agropecuária gerou 63 mil empregos formais e a construção, 26 mil.

O comportamento do trabalho formal no Estado de São Paulo, e em todo o País, poderia ter sido pior ao longo de 2020 se medidas excepcionais de proteção do emprego e da renda não tivessem sido tomadas pelo governo. Além do pagamento de auxílio emergencial para 68 milhões de pessoas, que sustentou a demanda e a produção depois do surgimento da pandemia, o apoio público para a sustentação do emprego – como os programas de redução temporária de jornada e de rendimento e de suspensão temporária do contrato de trabalho – evitou uma crise social ainda pior

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