O impacto da pandemia na construção

Com a queda inédita de 28,8 pontos em março, é muito provável que os resultados de abril mostrem um quadro ainda mais sombrio

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2020 | 03h00

O impacto da pandemia do novo coronavírus na atividade da indústria da construção do País foi imediato, violento e inédito. Em março, quando as primeiras medidas de enfrentamento da pandemia estavam sendo decididas e implementadas pelas autoridades brasileiras, a retração da atividade da indústria da construção foi a mais rápida e abrupta de toda a série da pesquisa Sondagem Indústria da Construção, realizada mensalmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). É muito provável que os resultados da pesquisa de abril mostrem um quadro ainda mais sombrio.

Em março, houve piora acentuada em todos os indicadores: utilização da capacidade instalada; condições financeiras; confiança; expectativas para os próximos seis meses; e intenção de investimentos.

A queda da atividade do setor entre fevereiro e março foi inédita. O índice de evolução da atividade industrial ficou em 28,8 pontos em março. Nos meses anteriores, esse índice estava pouco abaixo de 50 pontos, numa escala de 0 a 100. Acima da linha média, de 50 pontos, o índice mostra crescimento. Isso indica que já nos meses anteriores a março a indústria da construção enfrentava problemas para se recuperar. Mas a redução foi muito acentuada, nunca antes registrada pela pesquisa. Isso justifica a avaliação da CNI de que o resultado de março “demonstra uma queda muito intensa e disseminada”.

Também as expectativas do empresariado estão no nível mais baixo registrado pela Sondagem da CNI. O índice de expectativa do nível de atividade aferido em abril ficou em 27,4 pontos e o de novos empreendimentos e serviços recuou para 26,6 pontos. Já o índice de confiança do empresário da construção caiu para 34,8 pontos, com redução de 24,5 pontos em apenas um mês, o maior recuo mensal da série.

De maneira até surpreendente, a queda do indicador de emprego foi bem menos acentuada que a dos demais índices. O indicador da evolução do número de empregados ficou em 39 pontos, 11 abaixo da linha divisória de 50 pontos, mas acima de outros componentes da Sondagem. A CNI interpreta esse resultado como consequência da rapidez e da surpresa da queda da atividade e da possibilidade de as empresas adotarem medidas temporárias para preservar empregos. A contração da atividade e das expectativas depois de março deve ter mudado esse quadro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.