O impacto da pandemia na vida das empresas

Crise sanitária tornou ainda mais grave a alta taxa de mortalidade dos empreendimentos nos seus primeiros anos

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2020 | 03h00

A pandemia do novo coronavírus foi a causa apontada para a interrupção de suas atividades por 522,7 mil empresas, ou 39,4% de 1,3 milhão de empreendimentos que estavam fechados temporária ou definitivamente na primeira quinzena de junho. A crise sanitária, que afetou profundamente a vida das pessoas e as atividades econômicas em geral, tornou ainda mais grave um problema conhecido, que é a alta taxa de mortalidade dos empreendimentos nos seus primeiros anos.

O impacto da pandemia na vida das empresas é, porém, mais amplo. Mesmo as que continuaram a operar (2,7 milhões, de um universo de 4 milhões de empresas) depois da disseminação no País do número de infectados pela covid-19 relatam grandes dificuldades para manter suas atividades, de acordo com a Pesquisa Pulso Empresa: Impacto da Covid-19 nas Empresas divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Das empresas que se mantiveram ativas, 70% disseram que a pandemia teve impacto negativo sobre os negócios. O setor mais afetado foi o de serviços, no qual 74,4% relataram ter tido problemas com a pandemia, seguindo-se a indústria (72,9%), a construção (72,6%) e o comércio (65,3%).

Na avaliação do coordenador de pesquisas especiais em empresas do IBGE, Alessandro Pinheiro, esses dados indicam que a crise sanitária afetou mais duramente “segmentos que, para a realização de suas atividades, não podem prescindir do contato pessoal, têm baixa produtividade e são intensivos em trabalho, como os serviços prestados às famílias, onde se incluem atividades como as de bares e restaurantes e hospedagem, além do setor de construção”.

Sete entre dez empresas em atividade registraram queda de vendas ou de serviços comercializados na primeira quinzena de junho na comparação com o período anterior ao início da pandemia. Dificuldades para fazer pagamentos de rotina foram relatadas por 63,7% das empresas; 44,5% delas disseram ter adiado o pagamento de impostos desde o início da crise sanitária; e 32,9% mudaram o método de entrega de produtos ou serviços.

A dificuldade de acesso a linhas de financiamento criadas para as empresas está expressa na constatação, pelo IBGE, de que apenas 12,7% delas tiveram acesso à linha emergencial para pagamento de salários. Mesmo assim, não se registrou grande redução do número de empregados.

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