O impacto da pandemia no comércio varejista

Com o coronavírus, ao longo do ano, o comércio varejista deverá registrar o fechamento líquido de 88 mil lojas

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2020 | 03h00

A pandemia obrigou o comércio varejista a enfrentar uma crise de proporções inéditas. Entre abril e junho, os três meses em que a atividade econômica foi mais duramente afetada pelas medidas de enfrentamento da covid-19, esse segmento essencial do mercado de trabalho registrou perda de 135,2 mil lojas com vínculos empregatícios. O número corresponde a 10% do total de estabelecimentos comerciais com pelo menos um empregado, de acordo com levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). 

A recuperação da economia, já em curso, reduzirá o impacto negativo da pandemia. Mesmo assim, ao longo do ano, o comércio varejista deverá registrar o fechamento líquido de 88 mil lojas. A migração de parte dos consumidores para o comércio eletrônico, fortemente estimulada pelas medidas de isolamento social, será apenas parcialmente revertida com o retorno à normalidade. Assim, muito provavelmente, o número de lojas físicas – “historicamente, a principal modalidade de consumo por parte da população”, como observou a CNC – não se expandirá na mesma velocidade que a do crescimento das vendas.

Nenhum ramo do varejo registrou aumento no número de estabelecimentos, mas o daqueles em que predomina o comércio de produtos não essenciais foi o que mais baixou na fase mais aguda da crise. Houve queda de 17,0% no número de lojas de vestuário, tecidos, calçados e acessórios (fechamento de 34,5 mil estabelecimentos), de 12,9% no de lojas de utilidades domésticas (redução de 35,3 mil lojas) e de 9,9% no de comércio automotivo (fechamento de 20,5 mil lojas).

Resultado das mudanças de hábitos impostas pela pandemia, que levou muitos trabalhadores ao regime de home office, o varejo de produtos de informática e comunicação foi o segmento que teve a menor perda de lojas (1,2 mil unidades, ou 3,6%).

Também foram menos intensas as perdas registradas por alguns ramos do varejo essencial, menos afetados pelo isolamento social. O setor de hiper, super e minimercados teve perda de 12,0 mil lojas, ou 4,9%. O de farmácias, perfumarias e lojas de cosméticos perdeu 5,3 mil lojas, ou 4,3%. Mesmo autorizado a funcionar, o ramo de combustíveis e lubrificantes foi prejudicado pela redução da circulação de consumidores. Perdeu 5,4 mil pontos de venda, ou 12,2%.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.