O impulso do comércio mundial na pandemia

Apesar do aumento de casos de covid, a recuperação do comércio de mercadorias ganhou vigor em novembro e dezembro

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2021 | 03h00

Depois de enfrentar o impacto da pandemia, que dificultou o fluxo internacional de bens e serviços, o comércio mundial começou a reagir nos últimos meses de 2020 – em boa parte, contraditoriamente, graças à pandemia. Apesar do aumento expressivo de casos de contaminação pela covid-19 observado na Europa, nas Américas e em outros países, a recuperação do comércio mundial de mercadorias ganhou vigor em novembro e dezembro, de acordo com a edição atualizada de janeiro do Pulso do Comércio Internacional elaborado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), da qual fazem parte as economias mais importantes do mundo.

Como já se observara em períodos anteriores, diz a OCDE, a aceleração do comércio mundial nos dois últimos meses de 2020 foi impulsionada por produtos cujo consumo vem marcando o isolamento social (lockdown) imposto pelas autoridades às populações de diferentes regiões e países. Também os produtos médicos contribuem para a reativação do comércio mundial. É a pandemia, por outros meios, impulsionando as trocas comerciais entre as fronteiras.

Entre os produtos do lockdown mais exportados pela China, um dos principais atores do comércio mundial, estão, por exemplo, computadores, eletroeletrônicos domésticos, circuitos integrados e artigos eletrônicos que auxiliam na proteção contra a covid-19. As exportações desses produtos pela China começaram a crescer no segundo semestre do ano passado e, no fim de 2020, já estavam cerca de 20% maiores do que as de 2019.

Países como Coreia do Sul e Japão igualmente ampliaram suas vendas externas de produtos industrializados. No caso japonês a expansão tem ritmo bem mais modesto do que o observado na China, pois suas exportações de máquinas e equipamentos de transportes não apresentam o mesmo dinamismo que as de bens eletrônicos chineses.

No caso do Brasil, a OCDE observa que, depois de crescerem 5,7% em novembro, as exportações diminuíram 4,9% em dezembro, por causa da redução de embarques de grãos, madeira e carne.

O relatório aponta também a reação das exportações de serviços (com exceção da Europa), com destaque para os serviços para computadores e os ligados a negócios, com sinais de recuperação de transporte e viagens.

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