O Ipea constata a recuperação do investimento

Crescimento do investimento servirá de estímulo para a contratação de pessoal, contribuindo para enfrentar o desemprego

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2020 | 03h00

A retomada dos investimentos, ainda que em ritmo moderado, é um dos fatos mais auspiciosos para a economia brasileira num momento em que a pandemia de covid-19 parece começar a perder força. Entre os trimestres móveis março/maio e junho/agosto de 2020, o investimento cresceu 12%, segundo o último Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo. Os números são inferiores aos de 2019, mas permitem ter esperanças quanto ao futuro.

O consumo aparente de máquinas e equipamentos, que inclui a produção nacional menos as exportações e mais as importações, cresceu 11,4% em julho e 1,2% em agosto, acumulando uma alta de 11,1% no trimestre junho/agosto em relação ao trimestre anterior. A expansão mais forte veio da produção nacional, pois houve ligeira queda das importações, afetadas pela desvalorização do real.

A construção civil liderou a recuperação, com alta de 3,2% em agosto e 16,6% no trimestre. Este indicador já era esperado, dada a melhora do mercado imobiliário, com aumento dos lançamentos e das vendas, o que estimulou o investimento. Entre agosto de 2019 e agosto de 2020, o investimento na construção subiu 7,3% – este foi o único dos setores analisados a aumentar os investimentos em igual base de comparação.

Quando se comparam os trimestres móveis junho/agosto de 2019 e de 2020, ainda se registra uma queda de 3,9%, liderada pelo recuo de 29,5% no consumo de máquinas e equipamentos importados. Mas também nessa base de comparação a construção civil mostrou alta.

As tendências exibidas pela indústria fazem supor que a formação bruta de capital continuará aumentando neste fim de ano. Entre agosto e setembro de 2020, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de bens de capital cresceu 7%, outro sinal da recuperação do investimento. Na comparação com setembro de 2019, houve uma queda de apenas 2%.

A retomada do investimento é a questão-chave para 2021. Se ela se evidenciar mesmo quando deixar de ser pago o auxílio emergencial, será um sinal de que os empresários voltam a ter otimismo quanto ao futuro da economia brasileira. Além do mais, o crescimento do investimento servirá de estímulo para a contratação de pessoal, contribuindo, assim, para enfrentar o desemprego, o mais agudo dos problemas advindos da crise sanitária.

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