O medo do desemprego caiu, após oscilar muito

Quando a alta escolaridade está presente, o temor de perda de atividade é menor no Índice de Medo do Desemprego e Satisfação com a Vida, apurado em pesquisa trimestral da Confederação Nacional da Indústria

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2020 | 04h00

Um dos termômetros sensíveis do grau de confiança das famílias é o que permite avaliar o temor de perder o emprego. É o caso do Índice de Medo do Desemprego e Satisfação com a Vida, apurado em pesquisa trimestral da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e que trouxe sinais positivos. Quanto menor o indicador, melhor – e o indicador caiu 2,1 pontos entre setembro e dezembro de 2019.

O comportamento do índice ao longo de 2019 mostrou a repercussão dos baixos e altos da economia sobre a percepção dos trabalhadores. Após registrar 55 pontos em dezembro de 2018, quando os brasileiros “estavam otimistas com o resultado das eleições”, o indicador cresceu no primeiro semestre de 2019 em razão das frustrações com o desempenho da economia. Em setembro do ano passado, o índice ainda registrava 58,2 pontos. Mesmo depois da queda em dezembro, o índice ainda está acima da média histórica de 50,1 pontos.

O temor de perda da ocupação é maior nas faixas de baixa renda, registrando 69,7 pontos entre os que ganham até um salário mínimo. Seguem-se, nas faixas que têm menos segurança quanto à preservação do emprego, as mulheres, os jovens com 16 a 24 anos, os habitantes da Região Nordeste e os trabalhadores com baixa escolaridade (que cursaram até a 4.ª série).

Ao contrário, a situação é melhor entre aqueles que ganham mais de cinco salários mínimos por mês e têm maior escolaridade. Para os trabalhadores do sexo masculino, o indicador é de 48,5 pontos. E para as pessoas que residem na Região Sul, a marca é de apenas 43,4 pontos.

O levantamento confirma o peso decisivo da escolaridade para a obtenção e a preservação do emprego, sobretudo em tempos difíceis. Quando a alta escolaridade está presente, o temor de perda de atividade é menor.

O Índice de Satisfação com a Vida oscilou pouco ao longo de 2019: de 68,6 pontos, em dezembro de 2018, chegou a 69 pontos em setembro de 2019 e caiu levemente, para 68,3 pontos, em dezembro de 2019. É maior entre os que têm entre 16 e 24 anos (72 pontos), que têm instrução superior (70,5 pontos), que habitam a Região Sul (70,4 pontos) e que moram no interior (69 pontos).

São indicadores que devem ser levados em conta na formulação de políticas públicas, principalmente ao mostrar a importância de investir em educação.

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