O pacote de socorro às empresas aéreas

Para as companhias do setor, a ajuda vinda do BNDES deverá variar de R$ 4 bilhões a R$ 7 bilhões

Notas & Informações, O Estado de S. Paulo

19 de maio de 2020 | 03h00

O pacote de socorro financeiro coordenado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com a participação de instituições financeiras privadas e destinado às empresas dos ramos de atividade mais afetados pela pandemia do novo coronavírus, começa a se concretizar com a adesão das três principais companhias aéreas à proposta. O presidente do BNDES, Gustavo Montezano, anunciou que a Gol, a Latam e a Azul aceitaram, em princípio, a proposta oferecida pelo banco estatal em conjunto com bancos privados.

O setor de transporte aéreo é um dos que foram mais duramente atingidos pela crise causada pela pandemia. No Brasil, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que a demanda doméstica, medida em passageiros quilômetros pagos, caiu 93,1% em abril, na comparação com o resultado de um ano antes. Era uma redução esperada, depois que, com a implementação da Malha Aérea Essencial, a oferta de voos no País foi reduzida em 91,6%.

Um plano para socorrer as companhias aéreas, e outras empresas mais atingidas pela crise, vinha sendo anunciado pelo governo desde março. Previa-se, inicialmente, que até R$ 50 bilhões poderiam ser mobilizados para essa finalidade. Os valores atuais são mais modestos, podendo ficar abaixo de R$ 20 bilhões. Para as companhias aéreas, o montante da ajuda deverá variar de R$ 4 bilhões a R$ 7 bilhões.

O plano para as aéreas deverá se basear em ofertas públicas de títulos de dívida (parte em bônus conversíveis em ações). Pelo menos 30% deverão vir de investidores privados, cabendo 60% ao BNDES e 10% aos bancos privados que participarem da operação. Os recursos captados devem ser utilizados apenas no Brasil, em gastos operacionais. Não poderão ser utilizados no pagamento de dívidas financeiras. Duas das três empresas do setor citadas pelo BNDES disseram que ainda negociam as condições do pacote.

Além das empresas aéreas, distribuidoras de energia elétrica também disporão – em “curtíssimo prazo”, segundo o BNDES – de um programa de socorro que pode alcançar R$ 12 bilhões. Também montadoras de veículos estão entre as empresas que poderão ser beneficiadas com o pacote de socorro financeiro. Para o comércio varejista, o modelo poderá ser o mesmo utilizado para as companhias aéreas.

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