O pessimismo voltou ao setor de construção

A persistência de dados pouco animadores da atividade econômica parece ter abalado a confiança das empresas do setor de construção civil

O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2019 | 04h00

O mercado de imóveis residenciais cresceu no primeiro trimestre deste ano, na comparação com igual período de 2018. Os lançamentos aumentaram 4,2% e as vendas, 9,7%, o que fez o estoque cair 8,6%. Esses dados, aferidos em 23 capitais e regiões metropolitanas pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), mostram que, até os três primeiros meses do ano, a indústria imobiliária apresentou um crescimento lento, mas constante, como observou o presidente da Cbic, José Carlos Martins. Se tal desempenho se repetir nos próximos meses, as vendas e os lançamentos de imóveis residenciais poderão crescer de 10% a 15% no ano.

A manutenção do crescimento do setor dependerá, porém, do comportamento de outros indicadores, como as taxas de desemprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e que continuam altas, o que reduz a confiança das famílias.

Outro indicador importante é o do desempenho da economia. O resultado oficial do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre será anunciado na próxima quinta-feira pelo IBGE. As projeções predominantes são de um resultado fraco, que confirmaria dificuldades para a retomada do crescimento e as previsões de um aumento do PIB em 2019 parecido com o de 2018, quando a expansão foi de 1,1%.

A persistência de dados pouco animadores da atividade econômica parece ter abalado a confiança das empresas do setor de construção civil. O Índice de Confiança da Construção medido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV) caiu 1,8 em maio, para 80,7 pontos, o menor nível desde setembro do ano passado.

A coordenadora de Projetos da Construção do Ibre-FGV, Ana Maria Castelo, aponta um conjunto de fatores para a queda da confiança do empresariado da construção. A conjunção de fatores como baixo crescimento, contingenciamento de recursos orçamentários e o aumento das incertezas levou desânimo para o setor. Assim, a percepção predominante na virada do ano de que havia uma recuperação lenta, mas contínua – e comprovada pelos dados da Cbic –, “dá lugar a um pessimismo, cada vez mais disseminado entre os segmentos do setor”, diz a coordenadora. O pessimismo, segundo a pesquisa, é mais intenso entre as empresas de edificações residentes e de obras viárias.

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