O PIB agrícola promete dar fôlego à economia

O que a economia brasileira tem de mais eficiente poderá se transformar, em 2020, em algo ainda melhor, a se confirmarem as previsões do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2020 | 03h00

O que a economia brasileira tem de mais eficiente poderá se transformar, em 2020, em algo ainda melhor, a se confirmarem as previsões do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Segundo o Mapa, o Valor da Produção Agropecuária (VBP) de 2020 deverá crescer 8,2%, atingindo R$ 683,2 bilhões. O aumento previsto do PIB agrícola contrasta com o vulto das dificuldades que se afiguram inevitáveis com o agravamento da crise do coronavírus. O contraste também tende a ser maior do que em anos recentes entre o crescimento do PIB agrícola e o crescimento do PIB total, que poderá ser nulo no primeiro semestre de 2020, como observam economistas como o ex-presidente do Banco Central (BC) Affonso Pastore.

O aumento da produção das lavouras (+8,9%, para R$ 448,4 bilhões) deverá ser ainda mais expressivo do que o da produção agropecuária (+8,2%, para R$ 234,8 bilhões). Nos dois casos, são valores confortáveis. As projeções do Mapa foram feitas em fevereiro, quando os efeitos do coronavírus sobre a economia global já eram evidentes.

Os principais itens que empurram as lavouras para cima são soja, milho, café e laranja. São produtos relevantes não só para o abastecimento do mercado interno a preços módicos, mas para a exportação, atraindo dólares necessários e mais valorizados numa fase de turbulências globais e desequilíbrio da conta corrente do balanço de pagamentos.

Em alguns itens, como o café e a soja, o valor da produção poderá ter avanço excepcional (+25,9% e +15,5%, respectivamente). Mas altas vigorosas também estão previstas para o amendoim (+11,8%), a laranja (+9,7%), a mandioca (+7,8%) e o cacau (+6,6%). No milho e na soja, além de preços mais elevados, estão projetadas safras maiores. O mesmo se dá com o café, em “forte recuperação”, segundo os especialistas do Mapa. Estes preveem aumentos de 22,3% na safra do café tipo arábica e de 10,4% nos preços. Entre os itens com maior redução do VBP – e de difícil substituição no consumo das famílias – estão banana, batata-inglesa, trigo, feijão, tomate e uva.

Na pecuária destacam-se as carnes (bovina, suína e de frango). O faturamento de ovos deverá crescer 4,7% sobre 2019 e o leite poderá ter queda de 2,5%, afetando derivados como manteiga e queijos.

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