O PIB paulista e a resistência à pandemia

Ainda que se registre o efeito negativo da redução do auxílio e da alta média dos preços no consumo, 'não é plausível imaginar uma queda tão abrupta das vendas' no fim do ano que provoque queda acentuada dos resultados do setor de serviços

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2021 | 03h00

Com os dados consolidados até outubro e os disponíveis até novembro, a Fundação Seade faz projeções melhores para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado de São Paulo em 2020 do que fazia há alguns meses. Depois de registrar queda de 8,6% em abril na comparação com março, o PIB paulista mostrou forte recuperação nos três meses seguintes.

Embora em ritmo menos intenso, o crescimento vem se mantendo. Em novembro, de acordo com novos indicadores que a Seade desenvolveu para antecipar os dados reais durante a pandemia, o crescimento deve ter sido de 0,8% sobre outubro. Já a expansão efetivamente aferida em outubro foi de 0,6% sobre setembro.

Com base nesse desempenho, a Seade estima que, no ano passado, o PIB paulista deve ter variado de uma redução de 0,8% a uma pequena alta de 0,1%. Qualquer que seja o resultado a ser confirmado pelas estatísticas finais, que serão conhecidas daqui a alguns meses, deverá ser bastante melhor do que o de toda a economia brasileira. As projeções dominantes para o desempenho do PIB brasileiro no ano marcado pela pandemia de covid-19 são de forte redução, que varia de -5,0% a -4,1%, com a média se situando na queda de 4,4%.

“Apesar dos riscos envolvendo os cenários previstos, cumpre observar que os resultados já alcançados para as principais variáveis até outubro permitem maior segurança em relação às taxas projetadas, sendo improváveis eventos que possam ter alterado significativamente a trajetória da economia paulista até o fim de 2020”, justificam os pesquisadores da Seade.

Ainda que se registre o efeito negativo combinado da redução do valor do auxílio emergencial pago a mais de 60 milhões de pessoas e da alta média dos preços no consumo, “não é plausível imaginar uma queda tão abrupta das vendas” no fim do ano que provoque queda acentuada dos resultados do setor de serviços, argumentam. Pode até ter havido desaceleração em dezembro, mas o resultado final do ano não deverá ter sido afetado de maneira notável.

Já o cenário internacional é bem mais incerto. Mesmo assim, dado o seu desempenho nos últimos meses de 2020, o PIB paulista carregará um fator estatístico positivo para 2021, que, sem desastres econômicos notáveis, deverá ser bem melhor do que 2020.

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