O protecionismo contido, mesmo na pandemia

OMC pode ter desempenhado um importante papel para assegurar o fluxo mais livre de mercadorias e serviços durante a pandemia

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2021 | 03h00

Mesmo enfraquecida pela insistência com que o ex-presidente norte-americano Donald Trump procurou retirar-lhe funções e dificultar seu funcionamento, por meio do esvaziamento de seus principais órgãos colegiados de avaliação e julgamento de práticas comerciais, a Organização Mundial do Comércio (OMC) pode ter desempenhado um importante papel para assegurar o fluxo mais livre de mercadorias e serviços durante a pandemia. Sua própria existência pode ter inibido a adoção de medidas protecionistas que teriam dificultado o comércio de insumos para a produção de vacinas contra a covid-19.

“O sistema multilateral de comércio provou mais uma vez seu valor”, afirmou a diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, ao apresentar o relatório sobre as medidas relativas a comércio tomadas pelo G-20, o grupo dos 20 países mais desenvolvidos do mundo, entre outubro do ano passado e maio deste ano. A OMC, lembrou sua principal dirigente, já tivera papel relevante na redução dos danos à economia mundial decorrentes da crise financeira de 2008.

O relatório destaca que os países do G-20, bem como os demais membros da OMC, foram comedidos na adoção de medidas protecionistas durante a pandemia. Isso evitou a “aceleração destrutiva” do protecionismo que poderia ter prejudicado ainda mais a economia mundial, duramente atingida pela pandemia.

O balanço mostra que os países do G-20 tomaram 140 medidas ligadas ao comércio de bens desde o início da pandemia. Dessas, 101, ou 72%, destinaram-se a facilitar o comércio; apenas 39, ou 28%, tinham natureza restritiva. Das medidas de estímulo à circulação de bens, 60% referem-se à redução de tarifas e taxas de importação. Os produtos mais beneficiados são os ligados às atividades médicas e sanitárias.

Outro avanço observado pelo relatório da OMC foi a intensificação da cooperação entre os países e maior coordenação das atividades entre governos e organizações intergovernamentais.

Embora importantes, esses avanços não afastam a ameaça à economia global trazida pela pandemia. A produção de vacinas, diz a OMC, tem sido lenta e sua distribuição, muito desigual. “A recuperação do comércio não será sustentável enquanto não se assegurar acesso equitativo às vacinas”, advertiu a diretora-geral da OMC.

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