O que agrava a inflação de quem ganha menos

Habitação e saúde pressionaram, em julho, o Índice de Preços ao Consumidor, que mostrou elevação de 0,50%

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2020 | 03h00

Habitação e saúde pressionaram, em julho, o Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1 (IPC-C1) calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que mostrou elevação de 0,50%, superior em 0,17 ponto porcentual ao indicador de junho. O índice subiu 1,66% nos primeiros sete meses de 2020 e 3,08% em 12 meses. É mau sinal para a economia, ao reduzir o poder aquisitivo da maioria da população, que enfrenta maiores dificuldades em decorrência da pandemia do novo coronavírus, por causa da falta de emprego. A inflação oficial medida pelo IPCA subiu menos: 0,46% entre janeiro e julho de 2020 e 2,31% nos últimos 12 meses.

A maior variação no IPC-C1 ocorreu no custo da habitação, que passou de uma alta de 0,07% em junho para 0,90% em julho. Uma das maiores fontes de pressão veio das tarifas de energia elétrica residencial, que saíram de uma queda de 0,88% em junho para uma elevação de 2,33% em julho. Trata-se de item essencial, ainda mais em tempos de prolongada permanência nas residências, em razão do isolamento social.

O custo do item saúde e cuidados pessoais registrou alta de 0,54%, ante 0,11% em junho. Artigos de higiene, que haviam registrado leve queda média de preços em junho, aumentaram 0,52% em julho. Também pressionaram a inflação da baixa renda os itens transportes (+1,12%) e despesas diversas (+0,25%). Serviços de reparo em automóvel custaram 0,94% mais e o custo de consertos de bicicleta subiu 1,57%.

Menores pressões vieram de itens como alimentação e comunicação, enquanto se acentuou a deflação de educação, leitura e recreação e de vestuário. Na alimentação, cederam muito os preços de hortaliças e legumes, em especial de batata-inglesa, tomate, cebola e cenoura. A queda da demanda de recreação e vestuário também foi determinante para o recuo de preços, sob influência do isolamento social que faz adiar a procura por roupas, bem como por calçados.

Em 12 meses, o maior impacto sobre o IPC-C1 ainda vem da alimentação, com alta expressiva de 8,1%. É possível que o inverno e a demanda de consumo nas residências dificultem novos recuos desses preços no trimestre em curso. Mas safras abundantes poderão trazer algum alívio para os consumidores até o final do ano.

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