O que complica os números da balança comercial 

Dados disponíveis até maio permitiam supor que o Brasil poderia melhorar sua posição relativa no comércio global, mas os resultados de junho põem em dúvida essa hipótese

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2020 | 05h36

Quedas de vendas e de compras foram registradas no comércio exterior brasileiro em junho. O destaque positivo da balança comercial no mês passado ficou com o superávit (diferença entre exportações e importações), que atingiu US$ 7,5 bilhões, com exportações de US$ 17,9 bilhões e importações de US$ 10,4 bilhões. No resultado acumulado do primeiro semestre, as vendas ao exterior alcançaram US$ 102,4 bilhões, as compras foram de US$ 79,4 bilhões e o saldo alcançou US$ 23 bilhões. Como as estimativas mais conservadoras dos agentes econômicos privados apontam para um superávit da ordem de US$ 40 bilhões em 2020, isso bastará para quase eliminar o déficit na conta corrente do balanço de pagamentos. É um elemento de segurança para as contas externas do País.

Os dados disponíveis até maio permitiam supor que o Brasil poderia melhorar sua posição relativa no comércio global. Mas os resultados de junho põem em dúvida essa hipótese. O pior indicador foi o da corrente de comércio (soma de exportações e importações e medida relevante na avaliação da pujança do comércio exterior), que alcançou US$ 181,8 bilhões no primeiro semestre e US$ 391,4 bilhões em 12 meses, quedas de 5,9% e de 7,4% em relação a iguais períodos anteriores pelo critério de média por dia útil.

O País aumentou, em 2020, sua dependência do mercado asiático, principalmente do chinês; caíram as exportações para as demais regiões e para a maioria absoluta dos países, a começar dos Estados Unidos, do Chile, do México e da Alemanha, bem como de outras nações latino-americanas, com destaque para a Argentina, em grave crise. A retomada das vendas dependerá de novo de soja, milho, carnes, minério de ferro e petróleo.

A questão é saber se a tendência de recuperação da economia mundial, como se viu nos últimos dados da indústria europeia e chinesa, ajudará a desanuviar o comércio exterior brasileiro. Este depende principalmente dos produtos primários, mas não se deve ignorar a importância de ampliar as vendas de itens manufaturados, em especial os mais elaborados e com maior componente tecnológico. Embora escassos, elementos externos positivos ganham peso num momento de fraqueza econômica. O País precisa preservar minimamente as exportações, não obstante os desafios da crise sanitária. 

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