O que dá alguma sustentação à construção civil

Após uma fase favorável, proporcionada pela queda de juros e regulamentação dos distratos, o setor começou a sofrer

Editorial Econômico, O Estado de S. Paulo

10 de abril de 2020 | 05h00

Com peso decisivo no investimento e no emprego, a construção civil começa a ser afetada pela crise do vírus. Após uma fase favorável, proporcionada pela queda de juros e regulamentação dos distratos, o setor começou a sofrer, em março, uma segunda crise – a falta de confiança de empresários que querem construir e de famílias que querem adquirir a moradia própria. A demanda foi atingida, mas os vendedores demoram a reagir. No primeiro trimestre, segundo o indicador Fipe-Zap de imóveis anunciados em 50 cidades brasileiras, os preços pedidos subiram 0,49%. Em março, a alta foi de 0,18%.

Segundo o Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R), da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a variação foi de 1,03% em janeiro e 0,92% em fevereiro, com destaque para São Paulo, com alta superior a 3% no primeiro bimestre de 2020. Instalada a crise, é possível que os vendedores reduzam preços, na tentativa de atrair compradores potenciais.

Num mercado que depende de crédito, a guerra de taxas movida pelos bancos privados e pela Caixa Econômica Federal (CEF) já atraiu novos mutuários. Mas os grandes empresários da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) propõem uma nova rodada de queda de juros, dos cerca de 7,5% ao ano atuais para 5% ao ano.

O aumento da captação de depósitos de poupança facilita novas reduções de juros. Em março, segundo o Banco Central, a captação líquida das cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) superou R$ 8,2 bilhões, o melhor resultado dos últimos anos.

A remuneração dos depósitos feitos após 4 de maio de 2012 é inferior à inflação, sendo de apenas 0,2162% neste mês (2,6% ao ano). O SBPE aplica a maior parte dos recursos captados no financiamento de imóveis residenciais para a classe média. É previsível, portanto, que bancos com folga de recursos captados via cadernetas possam reduzir juros para bons clientes. Será uma das linhas de suporte ao mercado imobiliário.

O desafio é o longo prazo que caracteriza o investimento imobiliário, tanto para incorporadores como para mutuários. Hoje, até locações são afetadas – empresas e famílias que perderam faturamento e renda renegociam o pagamento de aluguéis.

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