O que explica o saldo comercial na pandemia

A força dos produtos primários compensou, em larga medida, a queda das exportações de manufaturados

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2020 | 03h00

Exportações de US$ 18,3 bilhões e importações de US$ 11,6 bilhões permitiram, em abril, um superávit comercial de US$ 6,7 bilhões, o maior para o mês nos últimos três anos, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia. Apesar da queda de 2,2% da corrente de comércio (soma de exportações e importações), para US$ 123 bilhões no primeiro quadrimestre do ano, o comércio exterior brasileiro parece sofrer menos as consequências da pandemia do que outras atividades econômicas, ajudando a atenuar seu impacto sobre o Produto Interno Bruto (PIB) de 2020, bem como contribuindo para evitar déficit maior na conta corrente do balanço de pagamentos.

Pelo critério de média diária, as exportações caíram 0,3% entre abril de 2019 e abril de 2020 e as importações declinaram 10,5%. Especialistas já reveem, para mais, as expectativas para o superávit comercial do ano. A Secex espera saldo positivo da ordem de US$ 46,6 bilhões, apenas 3% inferior ao de 2019. A elevada competitividade dos produtos primários brasileiros e a demanda asiática, região para a qual se destinaram 47,2% do total das exportações brasileiras do primeiro quadrimestre, com crescimento de 15,5% em relação a igual período de 2019, tiveram papel decisivo no comportamento do comércio exterior.

Produtos do agronegócio como soja e farelo de soja, carnes bovina e suína e algodão bateram recordes históricos mensais de exportações em volume em março. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), as exportações de itens agropecuários cresceram 17,5% no período.

Em contraste com a crise no mercado de petróleo, as exportações de óleo bruto atingiram 1 milhão de barris/dia em abril, 145% mais do que em abril de 2019. A Petrobrás atribuiu o fato à qualidade do óleo brasileiro.

A força dos produtos primários compensou, em larga medida, a queda das exportações de manufaturados, como veículos, celulose e motores. As vendas para a Ásia, não só para a China, mas para a Coreia do Sul, Cingapura e Tailândia, ajudaram a compensar a queda das vendas para os Estados Unidos e a América do Sul, não só para Argentina, mas para Chile, Uruguai, Paraguai e Peru. A China, ressalte-se, continua sendo o grande importador de produtos brasileiros, o que figuras importantes em Brasília não querem admitir.

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