O que impulsiona o mercado de imóveis

Com expansão ampla, as vendas estabeleceram novo recorde; no trimestre, as vendas terem registrado alta expressiva, de 42,5%

Editorial Econômico, O Estado de S. Paulo

27 de dezembro de 2020 | 05h00

As famílias de baixa renda vêm desempenhando um papel notável na ativação do mercado imobiliário. Elas são o principal responsável pelos excepcionais resultados de vendas e de lançamentos de imóveis aferidos pelo indicador mensal da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe-USP). As vendas de imóveis novos em outubro de 2020 foram 67,9% maiores do que as de um ano antes.

Não se trata de um aumento porcentual expressivo sobre um período de vendas deprimidas, como os meses que se seguiram ao início da pandemia, mas sobre um momento (os últimos meses de 2019) de normalidade da atividade econômica e social. Com expansão tão ampla, as vendas estabeleceram novo recorde mensal. O anterior era de maio de 2014, quando a economia brasileira ainda não havia sido atingida pela crise da política econômica do governo petista de Dilma Rousseff, que levaria à recessão nos dois anos seguintes.

O fato de também no trimestre móvel (de agosto a outubro) as vendas terem registrado alta expressiva, de 42,5%, sobre igual período de 2019, de sua parte, mostra que o bom desempenho do setor não se resumiu a outubro. Da mesma forma, o aumento de 20,5% no acumulado de 12 meses em relação a igual período imediatamente anterior mostra a persistência do rápido crescimento.

“Temos visto um consumidor resiliente na hora de buscar oportunidades para adquirir a casa própria, principalmente a população de baixa renda em busca do primeiro imóvel”, avalia o presidente da Abrainc, Luiz Antonio França.

Os empreendimentos do Programa Minha Casa Minha Vida, voltados para essa faixa da população, responderam por 85,8% dos lançamentos e 76,6% das vendas residenciais nos 12 meses encerrados em outubro. Com relação às vendas, o segmento de habitação popular registrou, em outubro, forte alta de 86,5% em relação ao mesmo mês de 2019. Os lançamentos, por sua vez, aumentaram 121,6% no mês. No acumulado de 12 meses, as vendas para essa fatia da população cresceram 33,4%.

As vendas para os segmentos de médio e de alto padrão tiveram crescimento de 3,1% em outubro, mas no acumulado de 12 meses registraram queda de 5,6%.

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