O recuo da demanda por industrializados

Resultado acumulado de 12 meses mostra redução de 4,4% na demanda por bens industriais

Notas & Informações, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2021 | 03h00

O consumo aparente de bens industriais (produção destinada ao mercado interno mais importações) cresceu no primeiro trimestre deste ano, na comparação com os primeiros três meses de 2020. A alta é expressiva, de 6,6%. Mas é preciso ressalvar que a base de comparação é baixa, pois em março do ano passado a pandemia já produzia grandes estragos na produção e no consumo de bens industriais, bem como em toda a economia e na vida das famílias, o que afetou o resultado de todo o trimestre.

O resultado acumulado de 12 meses, que mostra redução de 4,4% na comparação com o período anterior, parece dar uma indicação mais acurada da evolução da demanda interna por bens industriais. A redução é mais acentuada do que a da produção, que nessa comparação diminuiu 3,1%. O gráfico da evolução da demanda por bens industriais, baseado em dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra relativo paralelismo com o da produção, baseado em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nos dois casos, os dados se referem ao acumulado de 12 meses. Tanto a demanda como a produção, depois de apresentarem um movimento de alta entre novembro de 2019 e março de 2020, mostraram queda acentuada desde o início da pandemia.

De novembro do ano passado para cá, a queda na comparação com o período anterior vem se atenuando, mas março ainda mostra redução acentuada. Desde novembro do ano passado, o desempenho da demanda tem sido mais fraco do que o da produção.

Também a evolução mês a mês mostra como a demanda vem se arrefecendo ao longo deste ano. Em janeiro, a demanda foi 1,8% maior do que a de dezembro. Em fevereiro, foi igual à de janeiro (variação zero). E, em março, 1,2% menor do que a de fevereiro.

É uma lenta redução do ritmo de recuperação da demanda, observada também na produção e em outros indicadores da atividade econômica.

Os três primeiros meses do ano acumularam alguns fatores negativos que pesaram no consumo, na produção e no ânimo das famílias e dos investidores. A suspensão do pagamento do benefício emergencial comprimiu a renda de boa parte da população, o desemprego continua alto, a inflação se acelerou e a pandemia readquiriu vigor enquanto a vacinação patinava. Medo e desconfiança aumentaram.

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