O ritmo incerto da retomada do varejo

Economistas acreditam que se inicia o processo de consolidação de uma dinâmica favorável ao varejo, que pode ganhar força com as liberações do FGTS

O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2019 | 04h00

Entre julho e agosto, houve uma mescla de bons e maus resultados do comércio varejista, apurados em levantamentos privados. Ainda que os sinais positivos pareçam superar os negativos, não se pode, com base nesses indicadores, falar em tendência predominante para os próximos meses.

O Indicador Movimento do Comércio, da Boa Vista SCPC, mostrou avanço das vendas de 1,4% no período, após queda de 0,7% entre junho e julho. Em 12 meses, o aumento foi de 1,3%, liderado por tecidos, vestuários e calçados. Os economistas da Boa Vista acreditam que se inicia o processo de consolidação de uma dinâmica favorável ao varejo, que pode ganhar força com as liberações do FGTS.

O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) constatou alta real de vendas de 2,3% entre agosto de 2018 e agosto de 2019, porcentual inferior ao de 4,6% verificado em julho. Em 12 meses, o varejo avançou 5,7% nominais. 

O Indicador de Atividade do Comércio medido pela consultoria Serasa Experian caiu 0,9% entre julho e agosto, mas cresceu 1,5% entre agosto de 2018 e agosto de 2019. Na avaliação dos economistas do Bradesco, deve-se falar em crescimento moderado, baseado não só nos recursos do FGTS, mas na melhora do crédito e da confiança e na estabilização do mercado de trabalho. Os destaques positivos foram os segmentos de tecidos, vestuário, calçados e acessórios, além de veículos e peças e materiais de construção, móveis, eletrônicos e informática. O pior resultado veio de combustíveis e lubrificantes.

Entre os limitadores da retomada do varejo estão o desemprego e o endividamento das famílias. Dados da capital levantados pela FecomercioSP mostram que 2,28 milhões de famílias (58% dos lares paulistanos) registravam endividamento em agosto, maior proporção desde 2010.

Também cresceu, segundo a FecomercioSP, a inadimplência dos consumidores – de 20,2% em julho para 21,1% em agosto. Nada menos de 344 mil famílias (8,8% do total) declararam não ter condições de pagar as dívidas. Sem confiança, os consumidores evitam tomar crédito. Em resumo, o varejo depende das verbas do FGTS para crescer, mas seria melhor não esperar demais desses recursos.

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